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No prontuário de Aurora Cursino está escrito que ela entrou no Hospital Psiquiátrico do Juquery por “personalidade psicopática amoral”. Antonio Magon foi fichado com “ideias delirantes”. Ioitiro Akaba sofria de “demência precoce”.

Mas pouco além disso restou para contar a história deles dentro do complexo hospitalar, a não ser as obras de arte que deixaram para trás. Depois do incêndio que arrasou o prédio central, de Ramos de Azevedo, há oito anos, sobraram só os quadros, que ficavam guardados noutra casa do terreno.

Trancados ali há 25 anos, só agora são expostos pela primeira vez. Mas o cenário é outro. Estão no Palácio do Horto, casarão que serve de residência de verão para o governador do Estado. Pintaram de amarelo as paredes, para expurgar o branco do sanatório mental.

Não precisava. As cores nas obras desses loucos, se é que os diagnósticos tortuosos permitem essa designação, são suficientes para encher os quartos.

Cursino retrata uma mulher amarelo profundo, no meio de rosas vermelhas que ecoam as contas do colar e o rosto enrubescido. No canto, dá um título à obra: “Rosas da Espanha”.

Divulgação
Quadro de Aurora Cursino, feito no Hospital Psiquiátrico do Juquery, em Franco da Rocha (SP)
Quadro de Aurora Cursino, feito no Hospital Psiquiátrico do Juquery, onde ficou internada de 1944 até sua morte

Funcionários do Juquery, onde Cursino ficou internada de 1944 até sua morte, no fim dos anos 50, dizem que ela era prostituta, com passagens pela Europa e cursos de pintura.

Nos quadros, além das rosas espanholas, ela faz referência a Dorian Gray, herói de Oscar Wilde, dândis de toda sorte, enfermeiras do hospício. Uma moça solitária, de saia levantada e coroa na cabeça, vem com a inscrição “destino devolução”.

Muitas das telas ainda têm no canto um adesivo com o preço –seriam vendidas no bazar do hospital. Não chegaram a sair dali, do mesmo jeito que a artista saiu só depois de morta.

Ioitiro Akaba, japonês, teve o mesmo destino. Chegou ao Juquery em 1924 e saiu só quando morreu, 44 anos depois.

Sem muito rigor técnico, estoura a paleta de cores. À maneira dos fauvistas –feras, em francês– liderados por Matisse, Akaba exacerba detalhes decorativos, distorce a escala de vasos e flores multicoloridos e encharca de tinta suas composições. Divide o mundo entre um Japão minimalista e um Brasil de excessos tropicais.

ZONAS DE CONTATO
Quando: abertura hoje, às 12h; de qua. a dom., das 9h às 15h
Onde: Palácio do Horto (r. do Horto, 931, tel. 2193-8282)
Quanto: entrada franca

Fonte: Folha de S. Paulo

Pessoal, aproveitando que é janeiro e todo mundo quer dinheiro (rimou), abaixo segue um link de vagas para portadores de sofrimento psíquico numa RádioWeb de saúde mental aqui em São Paulo!

http://vagas.infojobs.com.br/vagas-de-vaga-p-portadores-doencas-mentais-na-radio-web-da-saude-mental-em-sao-paulo__1801189.aspx

Boa sorte! Aproveitando o ensejo, muito amor, muito dinheiro e muitas conquistas pra todos nós nessa nova década! Feliz 2010, povo!

DASDOIDA por aí!

Desfilando na FIESP

Desfile no Museu do Ipiranga, dia 7 de setembro

Vídeos por: Glaubermundo

Visitm o site: http://www.dasdoida.com.br/

Os verdadeiros loucos

Há um tabu presente na nossa realidade que tem me chamado cada vez mais a atenção. Uma coisa simples e que pode, a primeira vista soar clichê, mas não deixa de ser algo difícil de ser superado: lidar com as diferenças. As segmentações estão por toda parte. A cada dia que passa, ficamos sabendo de novos movimentos de pequenos grupos que são ou foram excluídos ao longo da nossa história. A questão fica ainda mais complexa, quando percebemos que muitos desses grupos que brigam por seus direitos, não se contentam a militância político-social e resolvem rebater a exclusão com a mesma arma. É triste perceber-se inserido nesse contexto, pregamos tanta coisa, lutamos por mudanças, mas quem e o que estamos sendo para as pessoas ao nosso redor? Vamos nos defender jogando de volta outra pedra?

Mas o principal aqui é isso; as diferenças. Por que é tão difícil aceitar algo ou alguém que não compartilha do nosso jeito de ser e pensar? Por que preferimos excluir esses grupos e nos tornar cada vez mais pobres de espíritos, em vez de incluí-los para um enriquecimento mútuo? Primeira coisa, alguém detém alguma verdade? Existe uma verdade? Por que você se acha no direito de taxar fulano disso ou daquilo? Já se olhou no espelho? Que não seja apenas para retocar a maquiagem ou fazer a barba. Minha pergunta é: Você se conhece? Acho que essas tentativas de negação e exclusão que presenciamos no nosso meio social diariamente são frutos de uma insegurança pessoal imensa. Se você se acha tão detentor da verdade, por que se sente tão ameaçado com a realidade alheia a ponto de querer exterminá-la?

O ser humano tem muitos traços em comum, principalmente pelo seu convívio em sociedade. Um desses traços é o medo do novo. Muitos de nós não sabem lidar com as rupturas com velhas estruturas e, cada pessoa tem um tipo de reação. Essa reação muitas vezes é a raiva e o desejo de isolar essas mudanças, para que não nos atinja. Pois bem, faça sua escolha. Seja a mesma pessoa a vida inteira e, quando envelhecer, olhe para trás e perceba que não aprendeu nada. Não falo de essência, o que somos de verdade por dentro não muda, carregamos para sempre. Mas existem muitos caminhos a serem percorridos e o aprendizado está justamente neles.

O nosso sistema econômico e político faz com que acreditemos que a melhor saída é realmente ignorar as diferenças e a buscar, individualmente, dinheiro e poder. Esse é o “sucesso” que eu vejo sendo proferido de várias bocas diariamente. Fulano é “bem sucedido” porque é rico, sicrano é feliz por ter poder e pisar nos outros. Acontece que, esse modelo de vida que criaram para gente é tão falho que percebemos que uma minoria quase que absoluta detém esse “sucesso”. Será que ele realmente existe? Será que esse é mesmo o melhor trajeto para seguir? A melhor essência?

Pois é esse mesmo sistema que nos torna loucos por papel, que segrega nossa sociedade em grupos de descriminados e descriminantes, ou os dois ao mesmo tempo. É esse mesmo sistema que situa um ser humano como “louco” e, portanto, desmerecedor do convívio social. Para tal atitude existe uma série de argumentos vazios e carregados de crueldade. Afinal, o que é o louco no meio de um agrupamento humano? Ele é alguém que temos que ser descrentes, alguém que nos oferece perigo. E por que encarnamos esse perigo, afinal, cadê a nossa segurança de seres absolutos que estão aptos a julgar qualquer atitude diferente da nossa como “loucura”? O louco pode ser perigoso, assim como qualquer pessoa que se aproxime de nós. São pessoas que passam ou vivem em sofrimento psíquico e que, por isso, se tornam no consciente popular uma doença. O esquizofrênico não é a esquizofrenia, o psicótico não é a psicose. Eles são, antes de tudo pessoas. Iguais a mim, iguais a você. Assim, simplesmente, pessoas. Pessoas que têm o direito de discordar de você, que partilham, assim como você, anseios e possibilidades.

O medo do louco e de tudo que é diferente é a forma mais covarde de tentar justificar a exclusão e o confinamento. O que realmente a sociedade teme são as diferenças. Ela teme aquilo que não consegue se enquadrar por inteiro num molde aprisionador e razo de relações humanas batizado de sistema econômico social. Chamamos de louco o sujeito que se expressa como quer dentro de um modelo extremamente castrador, quando, na verdade, os loucos somos nós. Nós topamos nos trancar nesse cercado de mentiras. Nós aceitamos ter que trabalhar oito horas por dia numa empresa que odiamos porque precisamos pagar o dinheiro que – nem existe – gastamos dos nossos cartões de crédito. Nós nos casamos sem nem saber o que é amor, para constituir uma família ilusória, que trairemos de todas as formas possíveis. Nós aceitamos sorrir, quando estamos extremamente irritados com alguma injustiça que nos foi feita, e assim desenvolvemos nossos cânceres e pandemias. Diante de tudo isso, você ainda acha que não está sujeito a ter um surto? E ainda bem que temos o poder de surtar e gritar diante dessa realidade atroz em que vivemos! Senão seremos nós a doença, mortos vivos que deixaram sua vida passar como um filme da “sessão da tarde”. Pois mesmo como todas as nossas esquisitices naturalmente humanas e nossa postura segmentadora estão todos buscando uma mesma coisa: a felicidade de existir, inclusive, no meio social.

Por Rafaela Uchoa

Extraído do blog: http://espectrodeilusoes.wordpress.com

“Fluídos” por Rafaela Uchoa

Neste sábado tem samba e feijoada com o Cordão BiBiTanTã! O Vozes da Voz também estará por lá!

No próximo domingo, 6/12, vai acontecer a II Feira de Saúde Mental e Economia Solidária em Embu das Artes (abaixo programação)! Nós do Vozes, claro, estaremos lá cobrindo e nos divertindo horrores! Vamo aí pessoal!

• 10h – Banda Municipal de Embu das Artes

• 11h – Desfile das DASDOIDA

• 11h30 – Jongo Embu das Artes

• 13h – Folia de Reis Jd Marajoara

• 14h- Dança Cigana – CECCO Bacuri

• 14h30 -Ganhadores do Festival de Calouro – Arte pela Diversidade

• 16h30 – Grupo Leviatã

• 17h00 – Ala Loucos pela X

Como chegar:

Saindo do Metrô Clínicas:

033 – Embu (Engenho Velho) – São Paulo (Clínicas)

033BI – Embu (Jardim Tomé) – São Paulo (Clínicas)

Saindo de outros pontos:

056 – Embu (Centro) – São Paulo (Metro Campo Limpo)

164 – Itapecerica da Serra (Parque Paraíso) – São Paulo (Terminal Rodoviário Tietê)

179 – Embu (Engenho Velho) – São Paulo (Anhangabau)

Voltamos ontem do VIII ENALA (Encontro Nacional da Luta Antimanicomial) e IX ENUFA e (Encontro Nacional de Usuários e Familiares da Luta Antimanicomial) que aconteceu do dia 26 ao dia 29 em São Bernardo-SP! Mesmo com muitas forças externas tentando agir contra, os Encontros antingiram seus objetivos. Reuniram usuários, familiares, técnicos e outros militantes num mesmo espaço, colocando em prática o principal motivo da existência da Luta: o fim da segregação e o aproveitamento das vozes de todos. A união de diferenças multiplicou ainda mais as possibilidades e propostas do movimento. Os  GTs (Grupos de Trabalho) cumpriram todas as suas metas, mesmo debaixo de tempestade e em meio a muito cansaço. As plenárias foram bastante democráticas, mesmo quando a divergência de opiniões prevalecia e o caos se fazia próximo. Falou mais alto o objetivo coletivo daquele encontro: a não disciplinalização da loucura e a luta por espaços igualitários no meio social. No ENALA essa igualdade é exercida a todo momento; os portadores de transtorno psíquico não são “pacientes”, eles não são mais passivos a normatização e punição das quais foram e são vítimas desde os séculos passados. A dívida histórica da sociedade para com o louco ainda está muito longe de ser acertada, mas os espaços para isso estão sendo criados, não apenas pelos técnicos, mas, principalmente, pelos usuários.

A nossa exibição aconteceu no último dia, pouco antes da plenária final e acho que foi uma das mais emocionantes para nós e para o público. A receptividade não podia ter sido melhor. Ficamos muito satisfeitos e felizes com os comentários, as lágrimas, os acolhimentos e os elogios a um trabalho que, assim como o Encontro, foi bastante díficil de acontecer, mas que em nenhum momento paramos de acreditar e não vamos parar nunca. Quero agradecer aqui, do fundo do coração, a todo o pessoal da Organização que foi super atencioso e realizaram mais um evento histórico na raça. E aproveitar para dizer que foi um prazer exibir e cobrir o ENALA, só nos deu mais forças para seguir em frente nessa causa de todos nós. Registramos palavras, gestos e olhares de pessoas que, realmente, fazem a diferença. Parabéns a todos que estiveram presentes e acrescentaram mais força para essa batalha.  Viva a inclusão! Viva ao ser humano! Viva a luta antimanicomial!

O Vozes da Voz será exibido no VIII Encontro Nacional da Luta Antimanicomial, amanhã, dia 26/11. Além disso, faremos toda a cobertura do evento que é de suma importância para os rumos dessa Reforma Psiquiátrica e, principalmente, social.

Para quem não se inscreveu ainda dá tempo pelo site: http://www.osdevoltaparacasa.org.br/

Não deixem de conferir também a programação: http://www.osdevoltaparacasa.org.br/programacao.html

O Encontro acontecerá junto com o IX Encontro Nacional de Usuários e Familiares da Luta Antimanicomial, em São Bernardo, do dia 26/11 ao dia 29/11. Voltaremos cheios de força e informações que, dentre outros meios, também partilharemos por aqui!

 

Vamos caminhar juntos e levantar a bandeira da liberdade do louco e, consequentemente, de nós mesmos! Viva a Luta!

 

 

Trailer do Vozes da Voz

Agradecendo…

Na última sexta-feira, 25, fizemos nossa primeira exibição num lugar que elegemos como ponto de partida na nossa militância artística, pela sua história e pelo trabalho que é desenvolvido lá dentro por boa parte dos profissionais; o CAPS Itapeva. À todos que estiveram presentes ou àqueles que não conseguiram chegar por algum motivo, aqui vai nosso muito obrigado! E que, com certeza, esse foi o 1o de muitos outros encontros. Além de querer exibir o “Vozes da Voz”, queremos, principalmente, promover práxis, discussão e reflexão entre diversos grupos que não sejam só da saúde mental. Muito em breve rolarão outros e vamos informando a todos por aqui! E mais uma vez, obrigada!

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