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Muitos pacientes parecem estar desesperados para saírem do hospital guatemalteco

Muitos pacientes parecem estar desesperados para saírem do hospital guatemalteco

Um hospital psiquiátrico na Guatemala foi descrito por ativistas como a instituição médica mais perigosa do mundo. Ex-pacientes dizem que eles foram abusados sexualmente enquanto sedados, e o próprio diretor admite – filmado por uma câmera escondida da BBC – que seus pacientes ainda são abusados.

Por todo o lado, corpos imóveis deitados no chão de concreto do pátio sob o sol ardente. Os pacientes parecem estar altamente sedados. Os cabelos foram raspados e eles usam trapos como roupas e nada nos pés.

Outros estão totalmente nus, expondo a sujeira, causada às vezes pelas próprias fezes e urina. Eles se parecem mais com prisioneiros de campos de concentração do que com pacientes.

O Hospital Federico Mora tem cerca de 340 pacientes, incluindo 50 criminosos violentos e mentalmente perturbados. Mas, segundo o diretor do hospital, Romeo Minera, apenas uma minoria tem sérios problemas mentais – impressionantes 74% chegaram precisando apenas de um pouco de atenção e cuidados e deveriam ter ficado na comunidade.

Minera acredita que a equipe da BBC pertence a um grupo de caridade, oferecendo ajuda para a instituição. Jornalistas não são bem-vindos – o disfarce foi a única maneira de ter acesso ao hospital, condenado por grupos de direitos humanos.

Desespero

Andar em uma das alas é como entrar em um inferno. Aqui, mais pacientes em trapos sentados no chão e em cadeiras de plástico, balançando-se em busca de conforto.

Não parece haver nenhum esforço de estímulo nesse espaço amplo e seguro.

quartos

Quartos ficam em corredores escuros e não há qualquer estímulo à recuperação de pacientes

Os pacientes vêm até nós, desesperados por contato humano. Um homem me agarra e implora para que seja levado do hospital.

Um enfermeiro diz que dois ou três profissionais são responsáveis por 60 a 70 pacientes. Outros dizem que a única maneira de lidar com eles é sedando-os.

Enquanto meu tradutor distrai o diretor, eu ando pelos quartos localizados em um corredor longo e escuro. Aqui, há mais pacientes deitados em camas de metal quebradas e enferrujadas.

Eles parecem sedados demais para andar até o banheiro. Há poças de urina nos colchões, e as roupas de alguns dos pacientes estão coberta pelas próprias fezes. O mau cheiro domina o ambiente – e eu tento, com todas as forças, controlar a náusea.

Em resposta à investigação da BBC, o governo da Guatemala disse que o hospital “usa a menor dose de sedativos como recomendado pela Organização Mundial de Saúde” e defendeu as condições do hospital.

“Há enfermeiros treinados para atender às necessidades dos pacientes, inclusive para mantê-los limpos e vestidos, e uma equipe de manutenção para manter o ambiente limpo”.

Abusos

Mas este não é o fim do horror. Durante a filmagem secreta, o diretor faz uma confissão surpreendente – os guardas abusam sexualmente dos pacientes. O hospital, diz ele, é um lugar “onde tudo pode acontecer”.

Dois ex-pacientes contam terem sido estuprados no Federico Mora. Eles afirmam que os perpetradores também eram da equipe médica, além dos guardas.

Uma paciente diz que foi abusada sexualmente por um enfermeiro enquanto dormia. Ela tinha apenas 17 anos e era virgem.

“Eu não estava ciente disso já que eu estava sedada. Só percebi que tinha perdido minha virgindade no dia seguinte. Eu sangrava pelas pernas, então descobri que o que tinha acontecido naquela noite é que um enfermeiro tinha entrado e me estuprado”, diz.

Este era o terceiro dia dela no hospital. Depois de duas semanas, seus gritos de socorro fizeram com que sua família a tirasse do local. “Você nunca se esquece de uma experiência como essa”, diz ela, entre lágrimas.

Ricardo, outro ex-paciente, diz que foi estuprado durante os três anos que passou no Federico Mora. Ele só foi libertado depois de uma batalha judicial, alegando ter sido diagnosticado erroneamente com esquizofrenia.

“Eles se aproveitavam das pacientes do sexo feminino, quando elas estavam sedadas”, diz Ricardo. “Os agentes da polícia, os pacientes e os enfermeiros – e alguns médicos também. Eles separavam as meninas mais bonitas para si durante à noite”.

‘O mais terrível’

Pacientes podem ficar dias em quartos de isolamento, mas a informação é negada pelo governo; um deles cometeu suicídio

Pacientes podem ficar dias em quartos de isolamento, mas a informação é negada pelo governo; um deles cometeu suicídio

O grupo americano defensor dos direitos de deficientes Disability Rights International (DRI) passou três anos recolhendo provas sobre o Federico Mora. Em um relatório publicado em 2012, o grupo descreveu o hospital como “a instalação mais perigosa que nossos investigadores já viram em qualquer lugar nas Américas”.

O DRI disse que “qualquer pessoa com ou sem deficiência internada neste hospital enfrenta risco imediato para a vida, saúde e integridade pessoal, além de risco de tratamento desumano e degradante ou tortura”.

O relatório explica que pacientes tiveram cuidados médicos negados, foram expostos a doenças e infecções graves e contagiosas e, agravado pelo abuso sexual “generalizado”, estavam em risco de contrair HIV.

Numa visita, o grupo conseguiu filmar uma paciente explicando que ela havia sofrido abuso sexual em seu primeiro dia no hospital, enquanto estava amarrada em uma parede.

“Eu também vi pacientes mantidos em isolamento. Havia um homem literalmente tentando escalar para sair de uma cela de isolamento. Ele estava em cima do muro tentando desesperadamente sair. E pessoas ficam presas nessas cela durante horas ou dias”, disse o fundador da DRI, Eric Rosenthal, que descreveu o local como o “mais terrível” já visitado por ele.

Na minha visita ao hospital, vi um dos quartos de isolamento usados para pacientes violentos demais para serem contidos.

É um quarto de dois metros quadrados com uma pequena janela. Um homem estava encolhido no canto. O chão estava coberto de dejetos humanos.

Ambiente do hospital é imundo, segundo funcionários que falam à BBC. Eles choram e dizem correr perigo

Ambiente do hospital é imundo, segundo funcionários que falam à BBC. Eles choram e dizem correr perigo

O diretor me disse que esses quartos eram monitorados, mas admitiu que, recentemente, um paciente havia cometido suicídio ao subir até a janela e se enforcar.

Processo judicial

O governo guatemalteco defendeu o uso destas celas, dizendo que “os pacientes são mantidos em isolamento durante apenas duas horas em cada ocasião” e são constantemente monitorados.

O governo também afirmou que ninguém estava sendo mantido em isolamento durante a nossa visita.

O uso de salas de isolamento era parte das provas levadas pela DRI à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) em 2012, que emitiu uma “medida de emergência” – efetivamente obrigando o governo a solucionar as questões levantadas pela DRI para “salvar vidas”.

As autoridades concordaram em agir imediatamente e iniciar uma investigação sobre as alegações de abuso sexual, mas, dois anos depois, aparentemente nada foi feito.

Agora, a DRI está preparando um novo processo judicial contra o governo da Guatemala numa tentativa de fechar o hospital.

O caso será analisado em meados de 2015. O governo da Guatemala será efetivamente julgado pela Comissão sobre os problemas no hospital. O governo poderá enfrentar sanções econômicas e comerciais de outros membros da Comissão Interamericana.

Pacientes aparentam estar sedados demais até para levantar-se e ir ao banheiro. Por isso, estão sempre sujos

Pacientes aparentam estar sedados demais até para levantar-se e ir ao banheiro. Por isso, estão sempre sujos

A equipe do hospital teme represálias se conversar com a imprensa, mas seis funcionários aceitaram em falar na condição de serem estrevistados juntos e não serem identificados.

“Não temos os remédios que precisamos para tratar pacientes. É sujo, há ratos e baratas”, admitiu uma funcionária.

Outro disse: “Acho que falo por todos ao dizer que os abusos cometidos no hospital por guardas são de conhecimento comum”. Os seis choram.

“Não é perigoso só para os pacientes, mas para nós também”, um funcionário diz. “Já reclamamos, mas ninguém ouve. Trabalhar no hospital é horrível”.

O governo da Guatemala disse à BBC que iniciou o processo de melhorar o sistema médico mental pelo país e que está construindo um muro para separar prisioneiros do resto dos pacientes.

E afirmou ainda que, apesar de não ter recebido nenhuma denúncia de abuso sexual, ordenou uma investigação interna.

Fonte: BBC

 

Flávio Bauraqui como Arthur Bispo do Rosário

Flávio Bauraqui como Arthur Bispo do Rosário

Interno da Colônia Juliano Moreira, diagnosticado como esquizofrênico-paranoico, Arthur Bispo do Rosário passava os dias entre os bordados feitos com os fios do uniforme azul do asilo e a reunião de objetos para compor sua arte exasperada. Dizia ser um inventário do mundo para levar a Deus no Dia do Juízo Final. Ganhou o reconhecimento de crítica, museus e bienais. Poucas vezes deixou a cela, vestido com o manto onde inscrevia o nome dos que o ajudaram.

O Senhor do Labirinto, filme de Geraldo Motta em codireção com Gisella Mello previsto para a quinta 11, narra essa trajetória na ficção de maneira menos imaginária e mais realista do rude cotidiano no hospital, sem abrir mão da poesia que as imagens lhe oferecem, reforçadas pela bela fotografia de Kátia Coelho. Um iluminado Flávio Bauraqui interpreta Bispo em todas as fases, a paixão pela médica Rosângela (Maria Flor) e a amizade e apoio do carcereiro Wanderley (Irandhir Santos). Eles envelhecem e a maquiagem pesa na caracterização, mas não prejudica a fruição da dor e beleza de uma existência complexa.

Fonte: Carta Capital

Troféu: o apresentador Rodrigo Faro postou foto ao lado de Loemy no Instagram

Troféu: o apresentador Rodrigo Faro postou foto ao lado de Loemy no Instagram

A disputa das emissoras de TV por uma entrevista com a ex-modelo Loemy Marques, viciada em crack, teve rapto, tentativas de suborno, ofertas de drogas e até um telefonema de um falso Silvio Santos se oferecendo a ajudá-la caso ela fosse a um programa do SBT. Um programa vespertino chegou a colocá-la à força dentro de um carro e sumiu com ela durante várias horas.

Desde o último sábado, produtores de TV travam uma guerra para conseguir um depoimento da jovem, que foi descoberta vivendo na Cracolândia, região degradada de São Paulo. Oito programas de cinco emissoras estão atrás dela. Por enquanto, o Hora do Faro, da Record, está levando a melhor. O programa a mantém em um local secreto, acompanhada de um enfermeiro, desde segunda-feira. O assédio da imprensa continua mesmo depois de ela ter deixado a Cracolândia e o apresentador Rodrigo Faro ter divulgado que a entrevistara em primeira mão.

A história da ex-modelo craqueira foi revelada em reportagem da revista Veja São Paulo do último final semana. Assim que a publicação foi para as bancas, Loemy passou a ser assediada por diferentes canais para falar com exclusividade. No sábado pela manhã, ela circulava pelas ruas da Cracolândia, na região central de São Paulo, onde vive há dois anos. Foi abordada e se sentiu acuada. Usou drogas.

Depois de muita insistência, profissionais de um programa vespertino que a seguiam a colocaram em um carro. Voluntários de uma ONG relatam que Loemy foi tratada como bicho, sem cuidado e respeito, “praticamente forçada a entrar no veículo”. A ex-modelo ficou com a equipe dessa rede de TV durante várias horas. Ela foi deixada no Jabaquara, na zona sul de São Paulo, e só reapareceu na região da Luz na manhã de domingo (23), se queixando da emissora.

Segundo uma testemunha, Loemy estava muito chateada e disse que lhe ofereceram drogas e R$ 500 em troca de uma entrevista. O rapto de “personagem” (forma como são chamados os entrevistados dos programas) não funcionou. Loemy não autorizou o programa a exibir suas imagens.

As artimanhas dos produtores incluíram até se passar por Silvio Santos. Um homem com a voz idêntica a do apresentador ligou para uma ONG na manhã de domingo tentando descobrir o paradeiro de Loemy. Logo em seguida, a entidade recebeu um telefonema da produção do Domingo Legal.

Diante do assédio da mídia, “como urubus em cima de carniça”, na definição de uma voluntária de uma ONG, foi providenciado um local para abrigá-la. A ex-modelo aceitou ir para o apartamento de amigos, se alimentou e dormiu. Na manhã de segunda-feira, foi orientada sobre as propostas das produções que queriam oferecer tratamento em clínicas de reabilitação em troca de um depoimento em que contasse como chegou ao fundo do poço.

Procurada por Globo, SBT, Record, Band e RedeTV!, a ex-modelo escolheu falar com o apresentador Rodrigo Faro, da Record, porque se lembrava dele como ator e considera o Hora do Faro a produção menos sensacionalista das que disputavam seu depoimento, sem levar em conta a da Globo, um programa jornalístico.

Rodrigo Faro foi até Loemy e passou toda a tarde de segunda-feira gravando na região da Cracolândia. Em seguida, postou foto com a moça em sua conta em uma rede social. Seus produtores estão responsáveis pela ex-modelo desde então. Ela está em um hotel e pode falar com seus amigos a hora que quiser. Um enfermeiro também foi contratado para ficar ao lado da dependente química dando assistência em suas crises de abstinência. A reportagem de Faro com a jovem irá ao ar domingo (30). Ela passará por uma transformação hoje (26) e deve participar do programa ao vivo também.

Na Record, o local em que a jovem foi hospedada é mantido em sigilo. Uma fonte afirma que a emissora não pagou desta vez para sair na frente da concorrência. Porém, pagar por entrevistas exclusivas é comum na emissora. Em seus “15 minutos de fama”, algumas pessoas pedem cachê e até fazem exigências para falar com determinado programa. Já teve “personagem” que exigiu passagens aéreas para toda família e hospedagem em hotéis de luxo.

Catarina Migliorini, que ficou famosa por leiloar a virgindade, e Izabela Araújo, motoqueira que ganhou um beijo do jogador de futebol Fred e o vídeo foi parar na internet, teriam recebido cerca de R$ 6.000 cada uma para participar de programas da Record.

Record vai fazer ‘reality show’ com ex-modelo viciada em crack

A Record vai transformar o processo de recuperação de Loemy Marques em uma espécie de reality show dentro do Hora do Faro, programa de Rodrigo Faro que no próximo domingo mostrará o drama da ex-modelo, que trocou as passarelas pelo crack e nos últimos dois anos viveu na Cracolândia, área degradada na região central de São Paulo. “Vamos acompanhar todo o processo [de recuperação], mas se ela fugir da clínica [de reabilitação] será complicado”, disse Faro com exclusividade ao Notícias da TV.

A emissora, em troca da exclusividade pela história de Loemy, já contratou uma uma clínica de reabilitação para a ex-modelo. Também dará ajuda financeira e, mais para a frente, providenciará uma bolsa de estudos em uma faculdade. “Ela quer ser engenheira”, conta Faro. Tudo isso, é claro, será mostrado na TV. O final desse reality show poderá ser uma grande transformação na TV. Ou não. “A gente vai dar o suporte para ela se reerguer, mas ela vai ter que querer”, diz.

Assediada agressivamente por oito programas de TV de cinco emissoras após ter sua história revelada pela Veja São Paulo do último final de semana, Loemy escolheu o Hora de Faro para expor seu drama em rede nacional. Além do pacote de “benefícios” oferecidos pela Record (clínica de reabilitação, dinheiro e faculdade), pesou o fato de ela gostar do apresentador. “Ela me disse: ‘Eu confio em você sem te conhecer’”, afirma Faro.

Desde segunda-feira, Loemy tem sido mantida em um hotel pela Record, acompanhada de um enfermeiro. Ontem, ela gravou parte do programa que vai ao ar domingo. Reecontrou a mãe no palco. A atração também terá uma longa entrevista com ela, gravada na Cracolândia. “Ela pede ajuda na entrevista, conta como tudo aconteceu. Ela começou com maconha. Um dia, ao comprar maconha no centro de São Paulo, foi assaltada. Alguém lhe ofereceu crack e ela nunca mais parou”, adianta o apresentador.

Segundo Faro, Loemy tem tido várias crises de abstinência e tosse muito. “Ela tem momentos de nervosismo, esfrega as mãos uma na outra. Mas ela está querendo sair dessa. Eu vi nos olhos dela uma vontade de ser curada”.

Fonte: Coletivo Dar

Em dezembro acontecerá a Feira de Economia Solidária de Natal da Rede de Saúde EcoSol. Será no dia 13/12, às 11h, no Parque Mário Covas, Avenida Paulista, 1853, metrô Consolação.

Venha prestigiar a economia solidária em São Paulo!

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Allen Frances (Nova York, 1942) dirigiu durante anos o Manual Diagnóstico e Estatístico (DSM), documento que define e descreve as diferentes doenças mentais. Esse manual, considerado a bíblia dos psiquiatras, é revisado periodicamente para ser adaptado aos avanços do conhecimento científico. Frances dirigiu a equipe que redigiu o DSM IV, ao qual se seguiu uma quinta revisão que ampliou enormemente o número de transtornos patológicos. Em seu livro Saving Normal (inédito no Brasil), ele faz uma autocrítica e questiona o fato de a principal referência acadêmica da psiquiatria contribuir para a crescente medicalização da vida.

Pergunta. No livro, o senhor faz um mea culpa, mas é ainda mais duro com o trabalho de seus colegas do DSM V. Por quê?

Resposta. Fomos muito conservadores e só introduzimos [no DSM IV] dois dos 94 novos transtornos mentais sugeridos. Ao acabar, nos felicitamos, convencidos de que tínhamos feito um bom trabalho. Mas o DSM IV acabou sendo um dique frágil demais para frear o impulso agressivo e diabolicamente ardiloso das empresas farmacêuticas no sentido de introduzir novas entidades patológicas. Não soubemos nos antecipar ao poder dos laboratórios de fazer médicos, pais e pacientes acreditarem que o transtorno psiquiátrico é algo muito comum e de fácil solução. O resultado foi uma inflação diagnóstica que causa muito dano, especialmente na psiquiatria infantil. Agora, a ampliação de síndromes e patologias no DSM V vai transformar a atual inflação diagnóstica em hiperinflação.

P. Seremos todos considerados doentes mentais?

R. Algo assim. Há seis anos, encontrei amigos e colegas que tinham participado da última revisão e os vi tão entusiasmados que não pude senão recorrer à ironia: vocês ampliaram tanto a lista de patologias, eu disse a eles, que eu mesmo me reconheço em muitos desses transtornos. Com frequência me esqueço das coisas, de modo que certamente tenho uma demência em estágio preliminar; de vez em quando como muito, então provavelmente tenho a síndrome do comedor compulsivo; e, como quando minha mulher morreu a tristeza durou mais de uma semana e ainda me dói, devo ter caído em uma depressão. É absurdo. Criamos um sistema de diagnóstico que transforma problemas cotidianos e normais da vida em transtornos mentais.

P. Com a colaboração da indústria farmacêutica…

R. É óbvio. Graças àqueles que lhes permitiram fazer publicidade de seus produtos, os laboratórios estão enganando o público, fazendo acreditar que os problemas se resolvem com comprimidos. Mas não é assim. Os fármacos são necessários e muito úteis em transtornos mentais severos e persistentes, que provocam uma grande incapacidade. Mas não ajudam nos problemas cotidianos, pelo contrário: o excesso de medicação causa mais danos que benefícios. Não existe tratamento mágico contra o mal-estar.

P. O que propõe para frear essa tendência?

R. Controlar melhor a indústria e educar de novo os médicos e a sociedade, que aceita de forma muito acrítica as facilidades oferecidas para se medicar, o que está provocando além do mais a aparição de um perigosíssimo mercado clandestino de fármacos psiquiátricos. Em meu país, 30% dos estudantes universitários e 10% dos do ensino médio compram fármacos no mercado ilegal. Há um tipo de narcótico que cria muita dependência e pode dar lugar a casos de overdose e morte. Atualmente, já há mais mortes por abuso de medicamentos do que por consumo de drogas.

P. Em 2009, um estudo realizado na Holanda concluiu que 34% das crianças entre 5 e 15 anos eram tratadas por hiperatividade e déficit de atenção. É crível que uma em cada três crianças seja hiperativa?

R. Claro que não. A incidência real está em torno de 2% a 3% da população infantil e, entretanto, 11% das crianças nos EUA estão diagnosticadas como tal e, no caso dos adolescentes homens, 20%, sendo que metade é tratada com fármacos. Outro dado surpreendente: entre as crianças em tratamento, mais de 10.000 têm menos de três anos! Isso é algo selvagem, desumano. Os melhores especialistas, aqueles que honestamente ajudaram a definir a patologia, estão horrorizados. Perdeu-se o controle.

P. E há tanta síndrome de Asperger como indicam as estatísticas sobre tratamentos psiquiátricos?

R. Esse foi um dos dois novos transtornos que incorporamos no DSM IV, e em pouco tempo o diagnóstico de autismo se triplicou. O mesmo ocorreu com a hiperatividade. Calculamos que, com os novos critérios, os diagnósticos aumentariam em 15%, mas houve uma mudança brusca a partir de 1997, quando os laboratórios lançaram no mercado fármacos novos e muito caros, e além disso puderam fazer publicidade. O diagnóstico se multiplicou por 40.

P. A influência dos laboratórios é evidente, mas um psiquiatra dificilmente prescreverá psicoestimulantes a uma criança sem pais angustiados que corram para o seu consultório, porque a professora disse que a criança não progride adequadamente, e eles temem que ela perca oportunidades de competir na vida. Até que ponto esses fatores culturais influenciam?

R. Sobre isto tenho três coisas a dizer. Primeiro, não há evidência em longo prazo de que a medicação contribua para melhorar os resultados escolares. Em curto prazo, pode acalmar a criança, inclusive ajudá-la a se concentrar melhor em suas tarefas. Mas em longo prazo esses benefícios não foram demonstrados. Segundo: estamos fazendo um experimento em grande escala com essas crianças, porque não sabemos que efeitos adversos esses fármacos podem ter com o passar do tempo. Assim como não nos ocorre receitar testosterona a uma criança para que renda mais no futebol, tampouco faz sentido tentar melhorar o rendimento escolar com fármacos. Terceiro: temos de aceitar que há diferenças entre as crianças e que nem todas cabem em um molde de normalidade que tornamos cada vez mais estreito. É muito importante que os pais protejam seus filhos, mas do excesso de medicação.

P. Na medicalização da vida, não influi também a cultura hedonista que busca o bem-estar a qualquer preço?

R. Os seres humanos são criaturas muito maleáveis. Sobrevivemos há milhões de anos graças a essa capacidade de confrontar a adversidade e nos sobrepor a ela. Agora mesmo, no Iraque ou na Síria, a vida pode ser um inferno. E entretanto as pessoas lutam para sobreviver. Se vivermos imersos em uma cultura que lança mão dos comprimidos diante de qualquer problema, vai se reduzir a nossa capacidade de confrontar o estresse e também a segurança em nós mesmos. Se esse comportamento se generalizar, a sociedade inteira se debilitará frente à adversidade. Além disso, quando tratamos um processo banal como se fosse uma enfermidade, diminuímos a dignidade de quem verdadeiramente a sofre.

P. E ser rotulado como alguém que sofre um transtorno mental não tem consequências também?

R. Muitas, e de fato a cada semana recebo emails de pais cujos filhos foram diagnosticados com um transtorno mental e estão desesperados por causa do preconceito que esse rótulo acarreta. É muito fácil fazer um diagnóstico errôneo, mas muito difícil reverter os danos que isso causa. Tanto no social como pelos efeitos adversos que o tratamento pode ter. Felizmente, está crescendo uma corrente crítica em relação a essas práticas. O próximo passo é conscientizar as pessoas de que remédio demais faz mal para a saúde.

P. Não vai ser fácil…

R. Certo, mas a mudança cultural é possível. Temos um exemplo magnífico: há 25 anos, nos EUA, 65% da população fumava. Agora, são menos de 20%. É um dos maiores avanços em saúde da história recente, e foi conseguido por uma mudança cultural. As fábricas de cigarro gastavam enormes somas de dinheiro para desinformar. O mesmo que ocorre agora com certos medicamentos psiquiátricos. Custou muito deslanchar as evidências científicas sobre o tabaco, mas, quando se conseguiu, a mudança foi muito rápida.

P. Nos últimos anos as autoridades sanitárias tomaram medidas para reduzir a pressão dos laboratórios sobre os médicos. Mas agora se deram conta de que podem influenciar o médico gerando demandas nos pacientes.

R. Há estudos que demonstram que, quando um paciente pede um medicamento, há 20 vezes mais possibilidades de ele ser prescrito do que se a decisão coubesse apenas ao médico. Na Austrália, alguns laboratórios exigiam pessoas de muito boa aparência para o cargo de visitador médico, porque haviam comprovado que gente bonita entrava com mais facilidade nos consultórios. A esse ponto chegamos. Agora temos de trabalhar para obter uma mudança de atitude nas pessoas.

P. Em que sentido?

R. Que em vez de ir ao médico em busca da pílula mágica para algo tenhamos uma atitude mais precavida. Que o normal seja que o paciente interrogue o médico cada vez que este receita algo. Perguntar por que prescreve, que benefícios traz, que efeitos adversos causará, se há outras alternativas. Se o paciente mostrar uma atitude resistente, é mais provável que os fármacos receitados a ele sejam justificados.

P. E também será preciso mudar hábitos.

R. Sim, e deixe-me lhe dizer um problema que observei. É preciso mudar os hábitos de sono! Vocês sofrem com uma grave falta de sono, e isso provoca ansiedade e irritabilidade. Jantar às 22h e ir dormir à meia-noite ou à 1h fazia sentido quando vocês faziam a sesta. O cérebro elimina toxinas à noite. Quem dorme pouco tem problemas, tanto físicos como psíquicos.

Fonte: PsiBr

Interno de instituições psiquiátricas por mais de 30 anos, Luiz Carlos vive numa das casas terapêuticas de Carmo: vida nova, com direito a música e dominó na praça - Fabio Rossi / Agência O Globo

Interno de instituições psiquiátricas por mais de 30 anos, Luiz Carlos vive numa das casas terapêuticas de Carmo: vida nova, com direito a música e dominó na praça – Fabio Rossi / Agência O Globo

Dar um sorriso enquanto ouve ao fundo uma música de seu cantor predileto não é algo banal para Luiz Carlos da Silva Lima, de 59 anos. Foram mais de 30 anos vivendo em diversas instituições psiquiátricas até que, há pouco menos de dez, o Hospital Colônia Teixeira Brandão, onde esteve internado pela última vez, no município de Carmo, foi desativado. E, desde então, nunca mais ficou trancado, sem ver o mundo lá fora. Luiz Carlos foi um dos primeiros a participar de um programa conhecido como Serviço de Residências Terapêuticas, que transforma aqueles que um dia foram chamados apenas de pacientes em moradores da cidade. Em Carmo, já são 21 casas com 117 pessoas portadoras de distúrbios mentais. O curioso é que o projeto, que no início era visto por muitos com preconceito e desconfiança, hoje é motivo de comemoração até para a economia da região. Graças aos benefícios financeiros recebidos pelos participantes, aos empregos gerados para os profissionais e às visitas de pesquisadores e estudantes, a prefeitura estima que estejam sendo injetados cerca de R$ 7 milhões por ano na cidade da Região Serrana. Essa receita representa a segunda fonte de arrecadação do município.

— Essas pessoas, que estavam excluídas do convívio em sociedade, não só estão agora interagindo com a população, como tornaram-se consumidoras vorazes, estão sempre nas ruas. E como recebem um auxílio financeiro de cerca de R$ 1.200 do INSS e do programa De Volta para Casa, do governo federal, movimentaram os setores de comércio e serviços. Toda a receita que envolve o projeto com os ex-internos de hospitais psiquiátricos equivale para nós ao que geraria uma indústria — comenta o prefeito de Carmo, César Ladeira.

O projeto de residências terapêuticas existe em várias cidades do país e ganhou força a partir de 2001, quando foi sancionada uma lei federal reorientando as diretrizes do sistema psiquiátrico. Dentro dessa política, o hospital que existia num imenso terreno de uma fazenda da pequena Carmo teria mesmo que ficar no passado. A instituição, criada em 1947, teve sua história marcada por denúncias de maus tratos. Nos pavilhões, os pacientes eram divididos em baias. Agora, os galpões estão passando por obras e serão transformados em um parque de exposições de gado e cavalos, que deve ser inaugurado até novembro.

APOIO DOS TRÊS ENTES DE GOVERNO

O projeto das casas tem a colaboração dos três entes de governo. A União se encarrega da concessão do benefício financeiro aos moradores. O governo estadual é responsável pela criação de um sistema de atendimento aos usuários, para que eles mantenham uma boa qualidade de vida. Somente cuidadores são 112. Há ainda os Centros de Atenção Psicossocial (Caps), que auxiliam no suporte técnico, além de centros de convivência. As residências são alugadas com o auxílio da prefeitura.

— A estrutura montada em Carmo tem todos os elementos para que o sistema funcione e tornou-se um modelo para nós — destaca Maria Thereza Santos, gerente de Saúde Mental da Secretaria estadual de Saúde.

Desde o começo, o trabalho de implementação do projeto foi acompanhado pela promotora do Ministério Público estadual Sheila Cristina Vargas Ferreira, da Promotoria Única de Carmo. Ela conta que no início teve que lidar com as queixas de moradores que não queriam ter “malucos” como vizinhos. Mas, aos poucos, as reclamações foram substituídas pelas visitas de usuários do programa, em busca de seus direitos:

— Em muitos casos, temos que lidar com questões básicas para a cidadania, como uma certidão de nascimento. Como ficaram internados por anos e não têm qualquer referência familiar, algumas pessoas nem esse documento têm.

Não há um padrão definido para todas as casas. Tudo depende do perfil dos moradores. Luiz Carlos, por exemplo, divide a residência com outros quatro ex-internos. Três cuidadores se revezam para que haja atenção 24 horas por dia. No seu quarto, há uma TV de LED. Na última quinta-feira, por exemplo, ele foi para o centro da cidade, acompanhado da cuidadora, para comprar uma roupa para a festa que comemorou os dez anos do início do projeto no município. Em geral, o táxi é o meio de transporte preferido dos usuários, fazendo com que os taxistas tenham um carinho especial por essa clientela.

— Esse projeto das residências terapêuticas mexeu muito com a cidade. Foi bom para todo mundo. Quando não têm contato as pessoas podem ter preconceito, mas quando conhecem veem que não é nada disso. A relação hoje não é entre taxista e passageiro. É como se fossem da minha família — afirma o taxista José Antônio da Silva Rodrigues, de 53 anos.

Até bloco de carnaval foi montado pelos ex-internos, que ainda participam de oficinas de artesanato e teatro, entre outras. Uma curiosidade aconteceu tempos após o início do projeto: vizinhos resolveram criar intriga e reclamaram que alguns deles estavam indo a uma famosa casa de prostituição de um município vizinho para se divertirem. Mas a “denúncia” não ganhou eco e eles continuaram indo lá. São até hoje considerados carinhosos e bons pagadores.

PROJETO SURGIU NA ITÁLIA, NOS ANOS 70

Apesar de ainda não ter ido a Carmo, o coordenador do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Saúde Mental e Atenção Psicossocial da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz e presidente da Associação Brasileira de Saúde Mental, Paulo Amarante, diz que as residências terapêuticas são uma experiência importante no processo conhecido como desinstitucionalização dos pacientes:

— Foi um projeto que começou na Itália, na década de 1970, e se difundiu por vários países da Europa. Lá, eles nem gostam do nome “terapêutica”. É um local de moradia, que precisa ser visto dessa forma para que não acabe tendo regras muito rígidas, o que tornaria as casas semelhantes às clínicas.

E o sorriso de Luiz Carlos mostra que Carmo está no caminho certo.

— Gosto muito de jogar dominó na praça, sou muito bom — garante ele, enquanto na vitrola toca um dos LPs de Roberto Carlos, que ele conseguiu guardar escondido durante a época em que viveu no hospital.

Fonte: O Globo

 

Por Fábio Arantes

Por Fábio Arantes

O prefeito Fernando Haddad recebeu nesta quinta-feira (26) o príncipe Harry de Gales para uma visita ao Programa De Braços Abertos, que atende a dependentes químicos na Luz, região central da cidade. Para conhecer melhor as ações do programa, o príncipe inglês conversou com dependentes de crack e conheceu equipamentos de acolhimento e de monitoramento. A ação, iniciada há seis meses, tem 422 beneficiários cadastrados, que têm acesso a trabalho remunerado, alimentação e moradia. Mais detalhes sobre o histórico e as ações do programa estão disponíveis aqui.

“Foi um dia importante para dar visibilidade a isso que é tão novo na América Latina, que é a política de redução de danos, que dá às pessoas oportunidades para resgatar sua dignidade. Ele estava genuinamente interessado, principalmente nas histórias de superação pessoal, no esforço das pessoas em buscar um futuro melhor”, afirmou o prefeito em entrevista coletiva, realizada na sede da Prefeitura.

O príncipe iniciou sua visita pela Praça Estação Julio Prestes, onde conheceu um dos ônibus do programa Crack é Possível Vencer, operado pela Guarda Civil Metropolitana (GCM). O secretário Roberto Porto explicou o funcionamento da unidade de videomonitoramento, cedida pelo governo federal para mapear a rede de tráfico na região. O ônibus é equipado com uma antena que capta imagens de 20 câmeras, instaladas a até três quilômetros de distância. Em seguida, caminhou com o prefeito e com a primeira-dama, Ana Estela Haddad, pela rua Dino Bueno, onde no início de 2014 cerca de 330 pessoas estavam instaladas em 147 barracos.

Ao longo de quase duas horas de visita, Harry pôde conhecer a metodologia do programa, que foi estruturada com a ajuda dos dependentes químicos. Ele conversou com os profissionais que atuam nas áreas de saúde, assistência social e segurança. “O interesse dele era conhecer o programa, os detalhes da segurança, da acomodação nos hotéis e das frentes de trabalho. É um privilégio poder mostrar o que temos de melhor. Isso serve de estímulo e dá a certeza de que estamos no caminho certo”, afirmou Roberto Porto. Também participaram da visita os secretários diretamente envolvidos no programa: José de Filippi (Saúde), Luciana Temer (Assistência Social), Artur Henrique (Trabalho) e Rogério Sottili (Direitos Humanos).

O próximo ponto da visita foi a tenda do programa De Braços Abertos, localizada na rua Helvétia. No local, Haddad e Harry acompanharam uma pequena apresentação do grupo de samba Braços Abertos, formado por beneficiários do programa. O local oferece acolhimento aos dependentes químicos que moram e circulam pela área. Estão disponíveis atendimentos de saúde e de assistência social, além de atividades culturais.

Com a ajuda de uma intérprete, o príncipe Harry conversou com beneficiários do programa, tanto na tenda como no galpão de trabalho. Neste espaço, localizado na rua Barão de Piracicaba, ocorrem oficinas de qualificação e o armazenamento das vassouras e carrinhos utilizados no trabalho de varrição, que emprega 228 dependentes químicos.

Kátia Silva foi uma das participantes do Braços Abertos que conversou com Harry. Ela participa do programa desde o início, em janeiro de 2014. “Ele foi muito gentil, perguntou como funcionava para a gente o programa, se a gente ainda estava usando drogas. Eu reduzi muito com a droga, trabalho com a varrição e já consigo ficar mais de uma semana sem usar”, contou Kátia. Dados do início de março apontam que o consumo de crack entre os beneficiários do programa foi reduzido, em média, de 50% a 70%. De uma média inicial de 10 a 15 pedras por dia, o consumo passou à média de cinco pedras diárias, concentrado no período noturno, segundo os relatos.

Segundo o secretário Leonardo Barchini (Relações Internacionais), os resultados positivos do programa estimulam a troca de experiências com outros países. “O que acontece com o Braços Abertos é uma grande curiosidade internacional. Quando você diminui o fluxo de usuários de 2.000 pessoas para 200 ou 150, estas imagens correm o mundo. Temos recebido muitas demandas de pessoas querendo conhecer que tecnologia social é essa. Já fizemos missões técnicas mostrando a nossa experiência e conhecendo outras experiências. A gente tem muito a aprender com outros países, mas a gente tem muito a ensinar também”, explicou Barchini.

Braços Abertos

Todos os beneficiários do Braços Abertos participam de frentes de trabalho de zeladoria e jardinagem a R$15 por dia, integram atividades de capacitação, recebem três alimentações diárias e vagas em hotéis. A ação inclui também acompanhamento médico e encaminhamento voluntário para tratamento da dependência química. O balanço é de 422 beneficiários cadastrados, dos quais 23 receberam o atestado médico de aptidão ao mercado de trabalho no último mês. Outros 122 estão em tratamento voluntário contra dependência química. Já são 12 usuários em empregos formais, além dos 18 que atuam nas frentes de trabalho em órgãos municipais. Outros 228 seguem no serviço de varrição de ruas e 66 participantes estão no projeto Fábrica Verde, um curso de capacitação voltado à área de jardinagem.

 

Fonte: Prefeitura de São Paulo

 

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