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Por uma Frente Parlamentar Antimanicomial!!!
Não a Higienização!! Não a Internação Compulsória e Não ao Financiamento Público das Comunidades Terapêuticas! Por uma Política de Alcool e outras Drogas Pública e Não Segregativa!!!

Frente Estadual Antimanicomial do Estado de São Paulo convida a todos os movimentos sociais, sindicais, organizações, entidades, fóruns, redes, ativistas e militantes para construir conosco o #OcupeAlesp dia 08 de Março das 15h – 19h na Assembléia Legislativa de SP.
O projeto higienista, manicomial e repressor de Kassab e Alckmin tem avançado. As recentes ações no Pinheirinho, na Luz e na Comunidade do Moinho não deixam dúvidas, o objetivo é causar DOR e SOFRIMENTO aos mais pobres para favorecer e garantir os interesses da Especulação Imobiliária.

Por Rafaela Uchoa

    Aconteceu na manhã da última quarta-feira, 25, um grande ato denominado “Especulação extermina: Basta de trevas na Luz e em São Paulo!”. A manifestação foi uma resposta da população às últimas medidas do governo de São Paulo e da prefeitura que utilizaram do poderio militar para atuar em questões de drogas (Cracolândia) e moradia (Moinho e Pinheirinho).  As medidas adotadas pelos governantes foram extremamente radicais e desnecessárias, tendo causado danos, muitas vezes, irreversíveis à população envolvida.

         A concentração começou às 8h da manhã na frente da Catedral da Sé, aos poucos os manifestantes foram chegando e conseguimos, literalmente, abraçar a catedral a espera do prefeito Kassab que estava numa missa em comemoração aos 458 anos de São Paulo. Ele saiu pelos fundos e nós cercamos o carro dele, alguns jogaram ovos e bolinhas de papel, até que a polícia começou a jogar spray de pimenta, bombas de gás lacrimogêneo e cassetetes contra nós. Tivemos que nos dispersar, mas logo depois voltamos para a Sé, seguimos em marcha para a Prefeitura e depois encerramos o ato na Cracolândia.

Por Rafaela Uchoa

      Cerca de mil pessoas fizeram o trajeto e entre os gritos de protesto que soltávamos estavam reivindicações no que diz respeito à internação compulsória, que vai totalmente de encontro à Lei 10.216 (Paulo Delgado), promulgada em 2001 e resultado da Luta Antimanicomial.  A lei prevê que os usuários têm o direito de tratamento na rede substitutiva aos manicômios (CAPS, residências terapêuticas e CECCOS). O que Kassab tem feito na Cracolândia é transformar um problema de saúde pública em questão apenas de segurança. Os usuários tem sido banidos das ruas, sem nenhuma orientação ou possibilidade de tratamento em um CAPS AD (Álcool e Drogas), a maioria com violência policial que já tem soma alguns casos de óbito. O que o prefeito está fazendo é apenas para esvaziar a área central e expulsar essas pessoas para outro lugar, ou seja, higienização social.

    Além disso, em dezembro passado, houve uma terrível tragédia, também na região central. A favela do Moinho sofreu um incêndio provocado que deixou milhares de famílias sem moradia e foi responsável pela morte de várias pessoas. O Moinho está no eixo da higienização, existe um projeto chamado “Operação Urbana Lapa/Brás” que visa construir um empreendimento imobiliário de “alto padrão” em toda orla ferroviária da Lapa-Brás-Mooca.

    O mesmo ocorreu no Pinheirinho, área em São José dos Campos que ficou esquecida muitos anos por ser na periferia da cidade. A ocupação do terreno existe desde 1996, mas há 5 anos atrás, foi construído na frente do Pinheirinho um condomínio empresarial de luxo, o que “valorizou” a área e por isso o mercado imobiliário quer o local com tanta urgência, a ponto de promover uma verdadeira guerra para tirar os moradores (que construíram suas casas com seu dinheiro) de lá. Os detalhes em torno do Massacre do Pinheirinho são ainda mais alarmantes, pois o terreno pertencia a família alemã Kubitzky, em 1969, a família faleceu sem deixar herdeiros e o terreno passou a ser do Estado. Como ele foi parar nas mãos do libanês Naji Nahas?

   As famílias do Pinheirinho, além de perderem suas casas, estão sendo separadas de seus filhos, pois as autoridades alegam que os pais não têm moradia, nem condições de criar suas próprias crianças que estão sendo levadas para adoção. O governo ofereceu também passagens para o norte e nordeste para essas pessoas que tem toda sua vida em São José dos Campos, mais uma medida que pode ser facilmente comparada ao fascismo de Mussolini.

     A manifestação do dia 25 teve um papel crucial que é mostrar para os poderosos e à parcela desinformada da sociedade que não somos coniventes com a higienização social que o governo de São Paulo promoveu e pretende continuar promovendo. Existem várias outras comunidades ameaçadas de acabar como o Pinheirinho, precisamos da intervenção do governo federal para expropriar as terras ocupadas de seus donos e indenizá-los. Essa medida, além de ser mais humana, é mais barata para o Estado do que construir novas casas para essas famílias (o que também não está sendo feito). O Brasil inteiro precisa se mobilizar contra essas ações militares, antes que a moda pegue e esses fragmentos de ditadura se espalhem por todo o país. Essa é uma luta de todos.

Por Rafaela Uchoa

Por Rafaela Uchoa

Confiram mais fotos do Ato no site: http://www.flickr.com/photos/rah_uchoa/sets/72157629044730061/

A Organização das Nações Unidas (ONU) vai denunciar hoje a violação de direitos humanos no Pinheirinho e lançar um “apelo urgente” para que as autoridades interrompam a atuação em São José dos Campos. A relatoria da entidade pedirá explicações sobre as ocorrências na região e alertará para violação de direitos humanos ao se usar polícia e confronto na reintegração.

A iniciativa é da relatora para o Direito à Moradia, a brasileira Raquel Rolnik. Entre os instrumentos a seu dispor, a relatora pode lançar um apelo público a um governo, uma forma de chamar a atenção internacional para o caso.

Fonte: O Estado de São Paulo

Acabei de receber via @celioturino um link com notícia da Folha de S. Paulo de 01 de julho de 1969, onde fui informado do misterioso “trucidamento da família Kubitzky”, ex-proprietária do terreno onde anos mais tarde acabou sendo instalada a ocupação do Pinheirinho. O caso nunca foi solucionado e, como a família não tinha parentes ou herdeiros, o Estado acabou incorporando a fortuna dos Kubitzky, inclusive imóveis, é claro.

Abaixo trecho da reportagem retirada da edição digitalizada do Acervo Folha:

Seria interessante buscar uma compreensão de como foi que, depois de o Estado ter herdado o terreno, ele foi cair nas mãos do Naji Nahas e do Grupo Selecta. Nas redes sociais já circula uma explicação, que deveria ser investigada pelas autoridades competentes, da possibilidade de estarmos diante de um caso de GRILAGEM DE TERRA. ALÔ MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL, vocês poderiam dar uma posição sobre o caso????

Já através do Facebook, a amiga Ana Paula me passou link de um vídeo gravado no Rio de Janeiro em uma das muitas manifestações de apoio ao Pinheirinho ocorridas ao redor do Brasil no dia de hoje, 23/01/2012. Em um certo momento, uma professora de São José dos Campos, em férias no RJ, pediu a palavra. Em sua fala ela não só levantou as mesmas suspeitas sobre a possível grilagem do terreno ao questionar como uma propriedade de família alemã poderia ter sido herdada pelo libanês Naji Nahas, como também mencionou o fato de um condomínio empresarial de luxo ter se instalado na frente do Pinheirinho, há aproximadamente cinco anos e, em decorrência disso, exercer forte pressão para que a ocupação fosse removida dali e no local pudesse ser construída uma extensão do dito centro empresarial. Vejam o depoimento:

 

Por enquanto o que se pode afirmar é que, desde o princípio, em 1969, até o caso mais recente da violentíssima reintegração de posse do Pinheirinho, este terreno está manchado de sangue e muito mistério. As autoridades deveriam vir a público e se pronunciarem quanto as dúvidas que foram levantadas e, se for o caso, investigar para dar uma satisfação aos contribuintes.

VEJA A REPORTAGEM COMPLETA – ACERVO FOLHA 

CONVERSA AFIADA – PM e Justiça de São Paulo devolvem a Nahas posse ilegal

Extraído do bloghttp://umhistoriador.wordpress.com

Este vídeo revela os jogos de interesses na expulsão dos 9.000 moradores da ocupação Pinheirinho, de 8 anos, em São José dos Campos. Traz, também, imagens do dia da desocupação (22/01) e depoimentos sobre a truculência policial.

Especulação extermina: basta de trevas na Luz e em São Paulo!

Concentração a partir das 8h, na Praça da Sé.
Caminhada rumo ao Pátio do Colégio, onde Alckmin e Kassab estarão, por volta das 10h.
Atividades culturais (10 grupos de teatro confirmados, música hip hop, dança) na Luz no período da tarde.

Depois de churrascão e em apoio aos removidos do Pinheirinho, novo ato contra a militarização vai até Alckmin e Kassab na manhã desta quarta-feira, 25, em São Paulo, na Praça da Sé

Moinho, Pinheirinho, “Cracolândia”. Além de décadas de descaso por parte do poder público, estas regiões ganharam um novo elemento em comum: o terrorismo de Estado, que carrega consigo inúmeras denúncias de abuso de autoridade, racismo, violação de direitos humanos e tortura. Fica cada vez mais evidente que a política do governo paulista está calcada na militarização como instrumento de garantia dos lucros da iniciativa privada que a financia. Fica também cada vez mais claro que é hora de dizer BASTA.

A população paulista não pode mais tolerar que  questões sociais complexas como consumo de drogas ou habitação sejam “resolvidas” por meio da violência policial pura e simples, desrespeitosa de todo e qualquer direito, de toda e qualquer lei que ainda possa vigorar em nosso “Estado de Direito”, cada vez mais de direita.

As políticas de “dor e sofrimento” implementadas pelos governos de Kassab e Alckmin – e pouco ou nada combatidas pela esfera federal – dizem respeito a todos os cidadãos e cidadãs, sejam usuários de drogas ou não, tenham sido despejados violentamente de suas casas ou não. Estão em jogo a capacidade de resolvermos nossos problemas através do diálogo, a implementação verdadeira da democracia, o direito à cidade e à políticas públicas efetivas, o respeito aos direitos humanos e à Constituição, o fim do aparelho repressivo implementado na ditadura militar que deveria ter acabado em 1985.

Não é exagero dizer que, com estes governantes, são nossas vidas que estão em jogo. Soluções só se materializam se os problemas estruturais – da desigualdade, do controle da política por parte das corporações, da falta de democracia real – forem enfrentados.

Quarta-feira, dia 25, na Praça da Sé, diversos grupos, entidades e movimentos sociais dirão um imenso NÃO à criminalização da população pobre e à militarização de São Paulo e um SIM à implementação de políticas de saúde, moradia, educação, cultura e emprego que respeitem os direitos humanos e a dignidade das pessoas. Nos juntamos também à exigência de suspensão imediata da desocupação do Pinheirinho, com retorno das famílias às suas casas na área anteriormente ocupada.

Grande ato ESPECULAÇÃO EXTERMINA: BASTA DE TREVAS NA LUZ E EM SÃO PAULO!

Concentração a partir das 8h, na Praça da Sé.
Caminhada rumo ao Pátio do Colégio, onde Alckmin e Kassab estarão, por volta das 10h.
Atividades culturais (10 grupos de teatro confirmados, música hip hop, dança) na Luz no período da tarde.

Leia nosso manifesto e veja as entidades que formam o movimento http://luzlivre.wordpress.com/

Divulgue entre seus amigos, nas redes sociais e no evento do Facebook.

Junte se a nós!

Massacre no Pinheirinho

Na última sexta-feira, dia 20 de janeiro, o Tribunal de Justiça Federal mandou suspender por quinze dias a liminar que autorizava a reintegração de posse da ocupação do Pinheirinho, em São José dos Campos, cidade do interior de São Paulo. Mas na madrugada do dia 22, o governo do estado e prefeitura, por meio da juíza Maria Loureiro, da 6ª Vara Criminal do município, autorizou a entrada da força policial para promover a desocupação da área localizada na zona Sul da cidade.

Geraldo Alckmin e Eduardo Cury, ambos do PSDB, ordenaram a realização de uma verdadeira operação de guerra contra as mais de 1.600 famílias que residiam no local. Foram enviados mais de dois mil homens de 33 cidades diferentes para esta tarefa. Entre os destacamentos estavam a Tropa de Choque e a ROTA, que utilizaram blindados, helicópteros, cavalaria, bombas de gás lacrimogêneo, gás de pimenta, balas de borracha e armamento letal.

A desocupação aconteceu por volta das seis horas da manhã. Neste momento, os primeiros homens da Tropa de Choque foram vistos estourando os portões que dão acesso a ocupação. As tropas avançaram contra a população dentro do terreno dando tiros de bala de borracha e arremessando bombas. Muitas destas bombas caíram dentro das casas das pessoas, deixando inúmeras delas feridas. A ação não parou nem mesmo diante dos apelos de muitos moradores que pediam o fim da violência porque no local havia idosos e crianças.

Enquanto a Tropa de Choque agia por terra, helicópteros sobrevoam o Pinheirinho de forma ameaçadora, realizando diversos voos rasantes para tentar amedrontar a população.

Esta, por sua vez, resistiu da maneira que pode. Diante do ataque surpresa, a milícia organizada pelos ocupantes não consegui entrar em ação dentro do Pinheirinho, no entanto, os moradores, sobretudo os mais jovens, arremessaram pedras, atiraram rojões e colocaram fogo em barricadas para impedir o avanço das forças de repressão.

Segundo o depoimento de um dos militantes do Partido da Causa Operária (PCO) que estava dentro do acampamento e fez parte deste enfrentamento, os confrontos duraram horas. “A luta mais intensa contra a Tropa de Choque durou, aproximadamente, uns 45 minutos. Depois disso, a maioria dos companheiros foi encurralada por diferentes destacamentos policiais. Aqueles que não foram detidos, a esmagadora maioria, entraram em alguma das casas para se refugiar. Mas mesmo depois de cinco horas de operação ainda era possível ouvir disparos e bombas vindos de outras partes do Pinheirinho. Eu estava refugiado em uma das casas e percebi que estes confrontos que começaram às seis horas duraram pelo menos até o meio-dia aproximadamente”, afirmou o estudante André Sarmento.

Para enganar a população do Pinheirinho, a PM divulgou que faria “apenas” uma operação chamada por ela mesma de “pente fino”. O objetivo seria buscar armas de fogo que supostamente estariam sob o poder dos trabalhadores. A operação “pente fino”, no entanto, se transformou em uma ação de despejo das famílias. Homens da ROTA começaram a entrar de forma ilegal nas casas e eles e outros destacamentos da polícia passaram a lacrar as residências. Os moradores foram obrigados a deixar suas casas com apenas aquilo que conseguiam carregar em mãos. “Consegui sair do Pinheirinho apenas às 16 horas. Na avenida em frente à ocupação era possível ver inúmeras famílias carregando malas e um número incontável de policiais cercando o terreno. Durante o período da noite recebi a informação que começaram as primeiras demolições das casas desocupadas”, afirmou Sarmento.

Estado de sítio e assassinatos

 O Pinheirinho ficou sob total estado de sítio. A polícia ordenou que estava proibido circular pelas ruas da ocupação e, consequentemente, os moradores foram obrigados a ficar dentro de suas casas. Mas foi do lado de fora que a repressão foi mais intensa.
Em frente a uma das entradas da ocupação, moradores do Pinheirinho, do bairro vizinho, o Campos dos Alemães, e demais trabalhadores solidários a esta luta se concentraram e enfrentaram a polícia.

A ação repressiva da PM resultou em sete mortes, segundo dados obtidos na noite do domingo pela nossa redação. O número, no entanto, pode aumentar nas próximas horas, uma vez que ainda há pessoas desaparecidas e outras internadas em estado grave correndo risco de morte. Entre os mortos estão uma criança de nove anos, um bebê de um ano e cinco meses e uma mulher grávida.

Segundo apurou a equipe de redação do Causa Operaria Online, ainda ocorreram confrontos no local que a prefeitura destinou aos moradores após a ocupação.
A polícia voltou a disparar tiros de bala de borracha e bombas de gás lacrimogêneo nos manifestantes durante a noite.

Fora Alckmin! Abaixo a ditadura do PSDB em São Paulo!

A repressão aos movimentos sociais, uma marca registrada do PSDB, vem se intensificando no último período. Somente neste mês tivemos mais um ataque ao movimento estudantil da USP, uma ação “higienista” na Cracolândia e, agora, um massacre na ocupação do Pinheirinho.
Estes ataques são uma tentativa da direita de conter a crescente revolta da população, resultado da desagregação do regime político e do aprofundamento da crise capitalista no Brasil. No Pinheirinho, por exemplo, a população organizou uma milícia para responder a política repressiva que atendia aos interesses do especulador Naji Nahas.

 A ação do PSDB, embora tenha resultado em um massacre da população e no despejo de quase 10 mil pessoas, tende a aprofundar esta crise, aumentando a tendência de luta da população contra a burguesia e o regime político.

Neste sentido, é preciso realizar uma ampla campanha de denúncias sobre o que realmente aconteceu no Pinheirinho, mostrando aquilo que a imprensa capitalista está tentando esconder. Ao mesmo tempo, os trabalhadores devem se organizar para novos enfrentamentos como este, pois eles certamente virão no próximo período.

Fonte: Causa Operária Online

Relatório do Conselho Federal de Psicologia registra desrespeito reiterado aos direitos humanos nas comunidades terapêuticas que internam usuários de drogas. É a reedição dos manicômios, mas para “tratar” dependentes, inclusive crianças e adolescentes. “Há claros indícios de violação dos direitos humanos em todos os relatos. De forma acintosa ou sutil, esta prática tem como pilar a banalização dos direitos dos internos”, diz o relatório. O artigo é de Maria Inês Nassif.
As comunidades terapêuticas destinadas ao tratamento (por internação) de usuários de drogas, em geral, não passam pelo crivo do artigo 5° da Constituição, que enumera exaustivamente os direitos fundamentais da pessoa humana. A começar pelo direito de credo. Das 68 instituições visitadas em inspeção realizada em setembro do ano passado pelo Conselho Nacional de Psicologia, 29 de declararam evangélicas, 9 católicas, 1 espírita e 13 se declararam religiosas, sem especificar, contudo, qual a religião abraçada. No total, 35 assumiram que a religião é a base do tratamento para usuários de álcool e outras drogas. “A maioria adota a opção pelo credo, pela fé religiosa como recurso de tratamento”, conclui o Conselho.Segundo o Relatório da 4ª Inspeção Nacional de Direitos Humanos – locais para internação dos usuários de drogas -, a violação dos direitos humanos nessas instituições é uma regra. “Há claros indícios de violação dos direitos humanos em todos os relatos. De forma acintosa ou sutil, esta prática tem como pilar a banalização dos direitos dos internos”, diz o relatório. A lista é extensa: “interceptação e violação de correspondências, violência física, castigos, torturas, exposição a situações de humilhação, imposição de credo, exigência de exames clínicos, como o anti-HIV, intimidações, desrespeito à orientação sexual, revista vexatória dos familiares, violação da privacidade, entre outros, são ocorrências registradas em todos os lugares”.No caso das instituições com vínculos religiosos, existe contrangimento para que os internos participem das atividades religiosas. Existem, em regra, poucos profissionais de Saúde; nas instituições declaradamente religiosas, os internos ficam aos cuidados de religiosos, “obreiros” ou ex-usuários convertidos.

Segundo relato colhido nas instituições visitadas, há um vasto histórico de maus-tratos físicos e humilhações. “Encontra-se registrada a adoção de métodos de tortura como, por exemplo: internos enterrados até o pescoço; o castigo de beber água de vaso sanitário por haver desobedecido uma regra ou, ainda, receber refeições preparadas com alimentos estragados, além do registro de internos que apresentavam, no momento da inspeção, ferimentos e sinais de violência física?.

Um dos relatos mais impressionantes é sobre a instituição católica Comunidade Terapêutica Marta e Maria, no Rio Grande do Sul. Lá, no caso de uma interna, com filho, resolver interrromper a internação, é simplesmente suprimido o direito de guarda da mãe e a criança é dada em adoção. Outro relato contundente é sobre a técnica terapêutica da Clínica La Ravardiere: há o uso de eletrochoques em pacientes com crises de abstinência.

Aliás, o descaso com a abstinência do usuário de droga é outro problema generalizado. “A regra” é “esperar passar” ou “convocar a família para buscar socorro”, diz o relatório. “Tal posição deixa os internos expostos ao risco de morte, pois a situação exige, nos casos mais graves, intervenção e cuidados rápidos”.

A “laborterapia”, parte do tratamento de usuários declarado por essas instituições, na interpretação do CFP, “assume caráter análogo ao trabalho escravo”. “A suposta laborterapia resurge como conceito que justifica a utilização de mão de obra não remunerada, tornando mais lucrativa a atividade institucional”. No entendimento do Conselho, “trabalho é direito e, como tal, deve ser respeitado. Caso contrário, é violação de direito, não tratamento”.

A outra restrição do relatório ao tratamento dado pelas instituições aos usuários de drogas é a prática de afastamento de crianças e adolescentes de suas famílias, em função da internação. “Ao afastá-los de seus vínculos, a sociedade contribui para a fragilização dos laços afetivos e, consequentemente, reforça a institucionalização como saída”.

Por fim, o CFP chega à conclusão de que a única vantagem para os ricos submetidos a esse tipo de tratamento, em relação aos pobres, é a hotelaria. “Mas, para ambos, pobres e ricos, o pressuposto da exclusão e do banimento da vida coletiva como regra, além, é claro, da reificação da saúde, já que tais práticas se propõem a ser cuidado de saúde, em objeto mercantil”.

Por Maria Inês Nassif

A Frente Estadual Antimanicomial participou do Ato Primavera da Saúde – Em Defesa do SUS – Brasília

Blog promove twittcam com Leonardo Pinho e Moacyr miniussi nesta terça feira,  às 20 horas. Participe!

Esta terça feira, 17/01, o blog promove um importante debate com os militantes Leonardo Pinho, da Frente Estadual Antimanicomial de SP e da Rede Estadual de Saúde Mental e Economia Solidária de SP e Moacyr Miniussi Bertolino Neto da Câmara Técnica de Saúde Mental do Conselho Estadual de Saúde de São Paulo.

Os militantes, que vêm acompanhando de perto a situação da Cracolândia,  debaterão a intervenção que vem sendo realizada na região pelos governos municipal e estadual e os desafios e perspectivas atuais das políticas públicas de Saúde Mental.

Como participar?

O debate começa às 20horas e todos podem participar. O vídeo será divulgado na página principal do blog. É possível também acessar o vídeo e o bate-papo (usando perfil no twitter ou facebook) através do link:http://www.livestream.com/saudecomdilma

Para fazer perguntas é possível:

- enviar email para saudecomdilma@gmail.com;

- Perguntar diretamente no chat do livestream, usando perfil no twitter ou facebook  (http://www.livestream.com/saudecomdilma).

Pela primeira vez, foi revertida a doença de Alzheimer em pacientes com a doença, há mais de um ano. Os cientistas usaram a técnica de estimulação cerebral profunda, que usa elétrodos para aplicar pulsos de eletricidade diretamente no cérebro.

p>Investigadores canadianos, da Universidade de Toronto, liderados por Andres Lozano, aplicaram estimulação cerebral profunda em seis pacientes.

Por Luis Nassif

Em dois destes pacientes, a deterioração da área do cérebro associada à memória não só parou de encolher como voltou a crescer.

Nos outros quatro, foi parado o processo de deterioração.

Nos portadores de Alzheimer, a região do cérebro conhecida como hipocampo é uma das primeiras a encolher.

O centro de memória funciona no hipocampo, convertendo as memórias de curto prazo em memórias de longo prazo.

Desta feita, a degradação do hipocampo revela alguns dos primeiros sintomas da doença, como a perda de memória e a desorientação.

Durante a investigação, a equipa de cientistas canadianos instalou os dispositivos no cérebro de seis pessoas que tinham sido diagnosticadas com Alzheimer, há, pelo menos, um ano.

Assim, colocaram elétrodos perto do fórnix, conjunto de neurónios que carregam sinais para o hipocampo, aplicando, depois, pequenos impulsos elétricos, 130 vezes por segundo.

Após 12 meses de estimulação, um dos pacientes teve um aumento do hipótalamo de 5 por cento e, outro, 8 por cento.

Esta descoberta pode levar a novos caminhos para tratamentos de Alzheimer, uma vez que é a primeira vez que foi revertida a doença.

Os cientistas têm, contudo, ainda de conhecer mais sobre o modo como a estimulação funciona no cérebro.

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