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Allen Frances (Nova York, 1942) dirigiu durante anos o Manual Diagnóstico e Estatístico (DSM), documento que define e descreve as diferentes doenças mentais. Esse manual, considerado a bíblia dos psiquiatras, é revisado periodicamente para ser adaptado aos avanços do conhecimento científico. Frances dirigiu a equipe que redigiu o DSM IV, ao qual se seguiu uma quinta revisão que ampliou enormemente o número de transtornos patológicos. Em seu livro Saving Normal (inédito no Brasil), ele faz uma autocrítica e questiona o fato de a principal referência acadêmica da psiquiatria contribuir para a crescente medicalização da vida.

Pergunta. No livro, o senhor faz um mea culpa, mas é ainda mais duro com o trabalho de seus colegas do DSM V. Por quê?

Resposta. Fomos muito conservadores e só introduzimos [no DSM IV] dois dos 94 novos transtornos mentais sugeridos. Ao acabar, nos felicitamos, convencidos de que tínhamos feito um bom trabalho. Mas o DSM IV acabou sendo um dique frágil demais para frear o impulso agressivo e diabolicamente ardiloso das empresas farmacêuticas no sentido de introduzir novas entidades patológicas. Não soubemos nos antecipar ao poder dos laboratórios de fazer médicos, pais e pacientes acreditarem que o transtorno psiquiátrico é algo muito comum e de fácil solução. O resultado foi uma inflação diagnóstica que causa muito dano, especialmente na psiquiatria infantil. Agora, a ampliação de síndromes e patologias no DSM V vai transformar a atual inflação diagnóstica em hiperinflação.

P. Seremos todos considerados doentes mentais?

R. Algo assim. Há seis anos, encontrei amigos e colegas que tinham participado da última revisão e os vi tão entusiasmados que não pude senão recorrer à ironia: vocês ampliaram tanto a lista de patologias, eu disse a eles, que eu mesmo me reconheço em muitos desses transtornos. Com frequência me esqueço das coisas, de modo que certamente tenho uma demência em estágio preliminar; de vez em quando como muito, então provavelmente tenho a síndrome do comedor compulsivo; e, como quando minha mulher morreu a tristeza durou mais de uma semana e ainda me dói, devo ter caído em uma depressão. É absurdo. Criamos um sistema de diagnóstico que transforma problemas cotidianos e normais da vida em transtornos mentais.

P. Com a colaboração da indústria farmacêutica…

R. É óbvio. Graças àqueles que lhes permitiram fazer publicidade de seus produtos, os laboratórios estão enganando o público, fazendo acreditar que os problemas se resolvem com comprimidos. Mas não é assim. Os fármacos são necessários e muito úteis em transtornos mentais severos e persistentes, que provocam uma grande incapacidade. Mas não ajudam nos problemas cotidianos, pelo contrário: o excesso de medicação causa mais danos que benefícios. Não existe tratamento mágico contra o mal-estar.

P. O que propõe para frear essa tendência?

R. Controlar melhor a indústria e educar de novo os médicos e a sociedade, que aceita de forma muito acrítica as facilidades oferecidas para se medicar, o que está provocando além do mais a aparição de um perigosíssimo mercado clandestino de fármacos psiquiátricos. Em meu país, 30% dos estudantes universitários e 10% dos do ensino médio compram fármacos no mercado ilegal. Há um tipo de narcótico que cria muita dependência e pode dar lugar a casos de overdose e morte. Atualmente, já há mais mortes por abuso de medicamentos do que por consumo de drogas.

P. Em 2009, um estudo realizado na Holanda concluiu que 34% das crianças entre 5 e 15 anos eram tratadas por hiperatividade e déficit de atenção. É crível que uma em cada três crianças seja hiperativa?

R. Claro que não. A incidência real está em torno de 2% a 3% da população infantil e, entretanto, 11% das crianças nos EUA estão diagnosticadas como tal e, no caso dos adolescentes homens, 20%, sendo que metade é tratada com fármacos. Outro dado surpreendente: entre as crianças em tratamento, mais de 10.000 têm menos de três anos! Isso é algo selvagem, desumano. Os melhores especialistas, aqueles que honestamente ajudaram a definir a patologia, estão horrorizados. Perdeu-se o controle.

P. E há tanta síndrome de Asperger como indicam as estatísticas sobre tratamentos psiquiátricos?

R. Esse foi um dos dois novos transtornos que incorporamos no DSM IV, e em pouco tempo o diagnóstico de autismo se triplicou. O mesmo ocorreu com a hiperatividade. Calculamos que, com os novos critérios, os diagnósticos aumentariam em 15%, mas houve uma mudança brusca a partir de 1997, quando os laboratórios lançaram no mercado fármacos novos e muito caros, e além disso puderam fazer publicidade. O diagnóstico se multiplicou por 40.

P. A influência dos laboratórios é evidente, mas um psiquiatra dificilmente prescreverá psicoestimulantes a uma criança sem pais angustiados que corram para o seu consultório, porque a professora disse que a criança não progride adequadamente, e eles temem que ela perca oportunidades de competir na vida. Até que ponto esses fatores culturais influenciam?

R. Sobre isto tenho três coisas a dizer. Primeiro, não há evidência em longo prazo de que a medicação contribua para melhorar os resultados escolares. Em curto prazo, pode acalmar a criança, inclusive ajudá-la a se concentrar melhor em suas tarefas. Mas em longo prazo esses benefícios não foram demonstrados. Segundo: estamos fazendo um experimento em grande escala com essas crianças, porque não sabemos que efeitos adversos esses fármacos podem ter com o passar do tempo. Assim como não nos ocorre receitar testosterona a uma criança para que renda mais no futebol, tampouco faz sentido tentar melhorar o rendimento escolar com fármacos. Terceiro: temos de aceitar que há diferenças entre as crianças e que nem todas cabem em um molde de normalidade que tornamos cada vez mais estreito. É muito importante que os pais protejam seus filhos, mas do excesso de medicação.

P. Na medicalização da vida, não influi também a cultura hedonista que busca o bem-estar a qualquer preço?

R. Os seres humanos são criaturas muito maleáveis. Sobrevivemos há milhões de anos graças a essa capacidade de confrontar a adversidade e nos sobrepor a ela. Agora mesmo, no Iraque ou na Síria, a vida pode ser um inferno. E entretanto as pessoas lutam para sobreviver. Se vivermos imersos em uma cultura que lança mão dos comprimidos diante de qualquer problema, vai se reduzir a nossa capacidade de confrontar o estresse e também a segurança em nós mesmos. Se esse comportamento se generalizar, a sociedade inteira se debilitará frente à adversidade. Além disso, quando tratamos um processo banal como se fosse uma enfermidade, diminuímos a dignidade de quem verdadeiramente a sofre.

P. E ser rotulado como alguém que sofre um transtorno mental não tem consequências também?

R. Muitas, e de fato a cada semana recebo emails de pais cujos filhos foram diagnosticados com um transtorno mental e estão desesperados por causa do preconceito que esse rótulo acarreta. É muito fácil fazer um diagnóstico errôneo, mas muito difícil reverter os danos que isso causa. Tanto no social como pelos efeitos adversos que o tratamento pode ter. Felizmente, está crescendo uma corrente crítica em relação a essas práticas. O próximo passo é conscientizar as pessoas de que remédio demais faz mal para a saúde.

P. Não vai ser fácil…

R. Certo, mas a mudança cultural é possível. Temos um exemplo magnífico: há 25 anos, nos EUA, 65% da população fumava. Agora, são menos de 20%. É um dos maiores avanços em saúde da história recente, e foi conseguido por uma mudança cultural. As fábricas de cigarro gastavam enormes somas de dinheiro para desinformar. O mesmo que ocorre agora com certos medicamentos psiquiátricos. Custou muito deslanchar as evidências científicas sobre o tabaco, mas, quando se conseguiu, a mudança foi muito rápida.

P. Nos últimos anos as autoridades sanitárias tomaram medidas para reduzir a pressão dos laboratórios sobre os médicos. Mas agora se deram conta de que podem influenciar o médico gerando demandas nos pacientes.

R. Há estudos que demonstram que, quando um paciente pede um medicamento, há 20 vezes mais possibilidades de ele ser prescrito do que se a decisão coubesse apenas ao médico. Na Austrália, alguns laboratórios exigiam pessoas de muito boa aparência para o cargo de visitador médico, porque haviam comprovado que gente bonita entrava com mais facilidade nos consultórios. A esse ponto chegamos. Agora temos de trabalhar para obter uma mudança de atitude nas pessoas.

P. Em que sentido?

R. Que em vez de ir ao médico em busca da pílula mágica para algo tenhamos uma atitude mais precavida. Que o normal seja que o paciente interrogue o médico cada vez que este receita algo. Perguntar por que prescreve, que benefícios traz, que efeitos adversos causará, se há outras alternativas. Se o paciente mostrar uma atitude resistente, é mais provável que os fármacos receitados a ele sejam justificados.

P. E também será preciso mudar hábitos.

R. Sim, e deixe-me lhe dizer um problema que observei. É preciso mudar os hábitos de sono! Vocês sofrem com uma grave falta de sono, e isso provoca ansiedade e irritabilidade. Jantar às 22h e ir dormir à meia-noite ou à 1h fazia sentido quando vocês faziam a sesta. O cérebro elimina toxinas à noite. Quem dorme pouco tem problemas, tanto físicos como psíquicos.

Fonte: PsiBr

Interno de instituições psiquiátricas por mais de 30 anos, Luiz Carlos vive numa das casas terapêuticas de Carmo: vida nova, com direito a música e dominó na praça - Fabio Rossi / Agência O Globo

Interno de instituições psiquiátricas por mais de 30 anos, Luiz Carlos vive numa das casas terapêuticas de Carmo: vida nova, com direito a música e dominó na praça – Fabio Rossi / Agência O Globo

Dar um sorriso enquanto ouve ao fundo uma música de seu cantor predileto não é algo banal para Luiz Carlos da Silva Lima, de 59 anos. Foram mais de 30 anos vivendo em diversas instituições psiquiátricas até que, há pouco menos de dez, o Hospital Colônia Teixeira Brandão, onde esteve internado pela última vez, no município de Carmo, foi desativado. E, desde então, nunca mais ficou trancado, sem ver o mundo lá fora. Luiz Carlos foi um dos primeiros a participar de um programa conhecido como Serviço de Residências Terapêuticas, que transforma aqueles que um dia foram chamados apenas de pacientes em moradores da cidade. Em Carmo, já são 21 casas com 117 pessoas portadoras de distúrbios mentais. O curioso é que o projeto, que no início era visto por muitos com preconceito e desconfiança, hoje é motivo de comemoração até para a economia da região. Graças aos benefícios financeiros recebidos pelos participantes, aos empregos gerados para os profissionais e às visitas de pesquisadores e estudantes, a prefeitura estima que estejam sendo injetados cerca de R$ 7 milhões por ano na cidade da Região Serrana. Essa receita representa a segunda fonte de arrecadação do município.

— Essas pessoas, que estavam excluídas do convívio em sociedade, não só estão agora interagindo com a população, como tornaram-se consumidoras vorazes, estão sempre nas ruas. E como recebem um auxílio financeiro de cerca de R$ 1.200 do INSS e do programa De Volta para Casa, do governo federal, movimentaram os setores de comércio e serviços. Toda a receita que envolve o projeto com os ex-internos de hospitais psiquiátricos equivale para nós ao que geraria uma indústria — comenta o prefeito de Carmo, César Ladeira.

O projeto de residências terapêuticas existe em várias cidades do país e ganhou força a partir de 2001, quando foi sancionada uma lei federal reorientando as diretrizes do sistema psiquiátrico. Dentro dessa política, o hospital que existia num imenso terreno de uma fazenda da pequena Carmo teria mesmo que ficar no passado. A instituição, criada em 1947, teve sua história marcada por denúncias de maus tratos. Nos pavilhões, os pacientes eram divididos em baias. Agora, os galpões estão passando por obras e serão transformados em um parque de exposições de gado e cavalos, que deve ser inaugurado até novembro.

APOIO DOS TRÊS ENTES DE GOVERNO

O projeto das casas tem a colaboração dos três entes de governo. A União se encarrega da concessão do benefício financeiro aos moradores. O governo estadual é responsável pela criação de um sistema de atendimento aos usuários, para que eles mantenham uma boa qualidade de vida. Somente cuidadores são 112. Há ainda os Centros de Atenção Psicossocial (Caps), que auxiliam no suporte técnico, além de centros de convivência. As residências são alugadas com o auxílio da prefeitura.

— A estrutura montada em Carmo tem todos os elementos para que o sistema funcione e tornou-se um modelo para nós — destaca Maria Thereza Santos, gerente de Saúde Mental da Secretaria estadual de Saúde.

Desde o começo, o trabalho de implementação do projeto foi acompanhado pela promotora do Ministério Público estadual Sheila Cristina Vargas Ferreira, da Promotoria Única de Carmo. Ela conta que no início teve que lidar com as queixas de moradores que não queriam ter “malucos” como vizinhos. Mas, aos poucos, as reclamações foram substituídas pelas visitas de usuários do programa, em busca de seus direitos:

— Em muitos casos, temos que lidar com questões básicas para a cidadania, como uma certidão de nascimento. Como ficaram internados por anos e não têm qualquer referência familiar, algumas pessoas nem esse documento têm.

Não há um padrão definido para todas as casas. Tudo depende do perfil dos moradores. Luiz Carlos, por exemplo, divide a residência com outros quatro ex-internos. Três cuidadores se revezam para que haja atenção 24 horas por dia. No seu quarto, há uma TV de LED. Na última quinta-feira, por exemplo, ele foi para o centro da cidade, acompanhado da cuidadora, para comprar uma roupa para a festa que comemorou os dez anos do início do projeto no município. Em geral, o táxi é o meio de transporte preferido dos usuários, fazendo com que os taxistas tenham um carinho especial por essa clientela.

— Esse projeto das residências terapêuticas mexeu muito com a cidade. Foi bom para todo mundo. Quando não têm contato as pessoas podem ter preconceito, mas quando conhecem veem que não é nada disso. A relação hoje não é entre taxista e passageiro. É como se fossem da minha família — afirma o taxista José Antônio da Silva Rodrigues, de 53 anos.

Até bloco de carnaval foi montado pelos ex-internos, que ainda participam de oficinas de artesanato e teatro, entre outras. Uma curiosidade aconteceu tempos após o início do projeto: vizinhos resolveram criar intriga e reclamaram que alguns deles estavam indo a uma famosa casa de prostituição de um município vizinho para se divertirem. Mas a “denúncia” não ganhou eco e eles continuaram indo lá. São até hoje considerados carinhosos e bons pagadores.

PROJETO SURGIU NA ITÁLIA, NOS ANOS 70

Apesar de ainda não ter ido a Carmo, o coordenador do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Saúde Mental e Atenção Psicossocial da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz e presidente da Associação Brasileira de Saúde Mental, Paulo Amarante, diz que as residências terapêuticas são uma experiência importante no processo conhecido como desinstitucionalização dos pacientes:

— Foi um projeto que começou na Itália, na década de 1970, e se difundiu por vários países da Europa. Lá, eles nem gostam do nome “terapêutica”. É um local de moradia, que precisa ser visto dessa forma para que não acabe tendo regras muito rígidas, o que tornaria as casas semelhantes às clínicas.

E o sorriso de Luiz Carlos mostra que Carmo está no caminho certo.

— Gosto muito de jogar dominó na praça, sou muito bom — garante ele, enquanto na vitrola toca um dos LPs de Roberto Carlos, que ele conseguiu guardar escondido durante a época em que viveu no hospital.

Fonte: O Globo

 

Por Fábio Arantes

Por Fábio Arantes

O prefeito Fernando Haddad recebeu nesta quinta-feira (26) o príncipe Harry de Gales para uma visita ao Programa De Braços Abertos, que atende a dependentes químicos na Luz, região central da cidade. Para conhecer melhor as ações do programa, o príncipe inglês conversou com dependentes de crack e conheceu equipamentos de acolhimento e de monitoramento. A ação, iniciada há seis meses, tem 422 beneficiários cadastrados, que têm acesso a trabalho remunerado, alimentação e moradia. Mais detalhes sobre o histórico e as ações do programa estão disponíveis aqui.

“Foi um dia importante para dar visibilidade a isso que é tão novo na América Latina, que é a política de redução de danos, que dá às pessoas oportunidades para resgatar sua dignidade. Ele estava genuinamente interessado, principalmente nas histórias de superação pessoal, no esforço das pessoas em buscar um futuro melhor”, afirmou o prefeito em entrevista coletiva, realizada na sede da Prefeitura.

O príncipe iniciou sua visita pela Praça Estação Julio Prestes, onde conheceu um dos ônibus do programa Crack é Possível Vencer, operado pela Guarda Civil Metropolitana (GCM). O secretário Roberto Porto explicou o funcionamento da unidade de videomonitoramento, cedida pelo governo federal para mapear a rede de tráfico na região. O ônibus é equipado com uma antena que capta imagens de 20 câmeras, instaladas a até três quilômetros de distância. Em seguida, caminhou com o prefeito e com a primeira-dama, Ana Estela Haddad, pela rua Dino Bueno, onde no início de 2014 cerca de 330 pessoas estavam instaladas em 147 barracos.

Ao longo de quase duas horas de visita, Harry pôde conhecer a metodologia do programa, que foi estruturada com a ajuda dos dependentes químicos. Ele conversou com os profissionais que atuam nas áreas de saúde, assistência social e segurança. “O interesse dele era conhecer o programa, os detalhes da segurança, da acomodação nos hotéis e das frentes de trabalho. É um privilégio poder mostrar o que temos de melhor. Isso serve de estímulo e dá a certeza de que estamos no caminho certo”, afirmou Roberto Porto. Também participaram da visita os secretários diretamente envolvidos no programa: José de Filippi (Saúde), Luciana Temer (Assistência Social), Artur Henrique (Trabalho) e Rogério Sottili (Direitos Humanos).

O próximo ponto da visita foi a tenda do programa De Braços Abertos, localizada na rua Helvétia. No local, Haddad e Harry acompanharam uma pequena apresentação do grupo de samba Braços Abertos, formado por beneficiários do programa. O local oferece acolhimento aos dependentes químicos que moram e circulam pela área. Estão disponíveis atendimentos de saúde e de assistência social, além de atividades culturais.

Com a ajuda de uma intérprete, o príncipe Harry conversou com beneficiários do programa, tanto na tenda como no galpão de trabalho. Neste espaço, localizado na rua Barão de Piracicaba, ocorrem oficinas de qualificação e o armazenamento das vassouras e carrinhos utilizados no trabalho de varrição, que emprega 228 dependentes químicos.

Kátia Silva foi uma das participantes do Braços Abertos que conversou com Harry. Ela participa do programa desde o início, em janeiro de 2014. “Ele foi muito gentil, perguntou como funcionava para a gente o programa, se a gente ainda estava usando drogas. Eu reduzi muito com a droga, trabalho com a varrição e já consigo ficar mais de uma semana sem usar”, contou Kátia. Dados do início de março apontam que o consumo de crack entre os beneficiários do programa foi reduzido, em média, de 50% a 70%. De uma média inicial de 10 a 15 pedras por dia, o consumo passou à média de cinco pedras diárias, concentrado no período noturno, segundo os relatos.

Segundo o secretário Leonardo Barchini (Relações Internacionais), os resultados positivos do programa estimulam a troca de experiências com outros países. “O que acontece com o Braços Abertos é uma grande curiosidade internacional. Quando você diminui o fluxo de usuários de 2.000 pessoas para 200 ou 150, estas imagens correm o mundo. Temos recebido muitas demandas de pessoas querendo conhecer que tecnologia social é essa. Já fizemos missões técnicas mostrando a nossa experiência e conhecendo outras experiências. A gente tem muito a aprender com outros países, mas a gente tem muito a ensinar também”, explicou Barchini.

Braços Abertos

Todos os beneficiários do Braços Abertos participam de frentes de trabalho de zeladoria e jardinagem a R$15 por dia, integram atividades de capacitação, recebem três alimentações diárias e vagas em hotéis. A ação inclui também acompanhamento médico e encaminhamento voluntário para tratamento da dependência química. O balanço é de 422 beneficiários cadastrados, dos quais 23 receberam o atestado médico de aptidão ao mercado de trabalho no último mês. Outros 122 estão em tratamento voluntário contra dependência química. Já são 12 usuários em empregos formais, além dos 18 que atuam nas frentes de trabalho em órgãos municipais. Outros 228 seguem no serviço de varrição de ruas e 66 participantes estão no projeto Fábrica Verde, um curso de capacitação voltado à área de jardinagem.

 

Fonte: Prefeitura de São Paulo

 

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O músico Evandro Martins, de 28 anos, é um 422 participantes do programa da prefeitura “De Braços Abertos” – que fornece apoio para usuários de drogas da Cracolândia do centro de São Paulo.

Ele afirma que teve contato com o crack quando começava sua carreira de músico na noite paulistana. Teve uma série de melhoras e recaídas até ir viver definitivamente na rua, na Cracolândia, no último mês de fevereiro.

Ao ver os colegas de rua se inscrevendo no programa decidiu participar. Hoje diz que a segurança de ter uma salário semanal para realizar trabalhos como varrição de ruas e organização de uma biblioteca fazem a diferença – assim como ter um endereço fixo em um hotel pago pela prefeitura.

Parte do dinheiro do salário ainda é gasta em drogas, consumo que ele tenta diminuir gradualmente. Porém Martins diz que já consegue juntar dinheiro e visitar a família em Santos.

Ele é um exemplo do que a prefeitura chama de redução de danos – tentar fazer o usuário de drogas a trabalhar, ter uma rotina, compromissos, endereço sem a exigência de deixar as drogas abruptamente.

Fonte: BBC

Lindo filme sul-coreano que conta a história de uma menina que acredita que é um cyborg. Ela vai para um hospital psiquiátrico, assim como sua vó.

Eu sou um cyborg, mas tudo bem! Parte 1

 

Eu sou um cyborg, mas tudo bem! Parte 2

 

 

Título Original: Ssaibogeujiman Gwaenchanha

Dirigido por: Park Chan-Wook

País de origem: Coréia do Sul

Ano de produção: 2006

 

 

 

 

Moises da Silva por Leo Martins

Moises da Silva por Leo Martins

Com passos curtos e lentos, ombros curvados, Moisés Ferreira da Silva entrou, tímido e com um leve sorriso, na sala da Associação de Saúde Mental Juliano Moreira (Apacojum), que fundou e onde hoje é diretor consultivo. As marcas de expressão e as mãos calejadas não são de uma vida de trabalhador do campo. Durante quatro décadas, ele ficou internado no Hospital Psiquiátrico da antiga Colônia Juliano Moreira, em Jacarepaguá, com o diagnóstico de esquizofrenia e epilepsia. Mesmo com um pouco de dificuldade para falar — devido aos tratamentos pesados a que foi submetido —, Moisés relembra.

A região metropolitana de São Paulo tem índices de depressão e transtornos de ansiedade semelhantes ao de áreas de guerra como o Líbano e a Síria. Um estudo realizado por pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP e que integra uma base de dados internacional identificou que 19,9% da população sofre de algum transtorno de ansiedade. Já em relação àdepressão, os dados mostram que ela atinge 2,2 milhões, ou 11% dos 20 milhões de pessoas que moram na grande São Paulo.

“É preocupante. É uma cidade muito estressada, muito violenta. Acreditamos que o nível de violência tenha relação a ansiedade e a depressão”, disse.Wang Yuan Pang, pesquisador do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo e coordenador da pesquisa São Paulo Megacity, que integra um estudo da Organização Mundial da Saúde realizado concomitantemente em vários países.

Teste: Qual é o seu grau de ansiedade?

Wang afirma que 54% dos entrevistados relataram ter vivido pelo menos um evento violento traumatizante, que pode ir desde ser vítima de um assalto, a presenciar a morte de alguém, ou tentativa de homicídio, ou sofrer estupro.

Além do alto índice, outra preocupação dos pesquisadores é o fato de não haver serviço suficiente para atender a demanda. “ A gente não tem pessoal suficiente para atender esta população” disse. No estudo, os problemas de saúde mental foram divididos em três níveis de acordo com a gravidade. Apenas um terço destes 10% de pessoas na categoria grave – aqueles que tentaram suicídio, apresentaram transtorno bipolar, ou são dependentes químicos com sinais fisiológicos -de fato receberam tratamento.

A taxa de depressão está entre as maiores do mundo. Países da África, menos desenvolvidos que a região metropolitana de São Paulo, têm índices de depressão de 4%, 6%, de acordo com Wang. Mas são os casos mais sérios de transtornos de ansiedade que deixaram os pesquisadores alarmados, aqueles que englobam casos como fobias e até síndrome do pânico.

Só a síndrome do pânico, um grave transtorno de ansiedade, atinge 1,1% da população, ou 220 mil pessoas só na região metropolitana de São Paulo. De acordo com Wang, no entanto, ela é mais percebida do que a depressão, por exemplo, porque é mais difícil de esconder. “Ela é extremamente incapacitante. O indivíduo não consegue sair de casa, pegar o metrô cheio.”

Preconceito: Ninguém leva minha depressão à sério

O estudo também mapeou os locais onde há mais casos de ansiedade e depressão. Percebeu-se que as áreas periféricas, onde há menos segurança e saneamento – as chamadas áreas de privação social – , são justamente aquelas com menos casos de depressão e transtornos de ansiedade. “Não quer dizer que as pessoas são mais felizes, não é isso. O que acontece é que nessas áreas periféricas há um alto número de migrantes, que se mudam para São Paulo para trabalhar. Quem não está saudável, com boa saúde mental, não aguenta e volta. Nessas áreas os problemas são outros: há muitos casos de alcoolismo e uso de drogas.”

Fonte: IG

 

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