Ato #OcupeAlesp é o primeiro passo para criação de Frente Parlamentar Antimanicomial

      

     Diversos movimentos sociais se reuniram na tarde desta quinta-feira, 8, no #OcupeAlesp. O ato ocorreu dentro da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo e reuniu cerca de 400 manifestantes que reivindicaram a criação de uma Frente Parlamentar Antimanicomial na Assembléia Legislativa. O movimento é contra a internação compulsória, o financiamento público das comunidades terapêuticas e a higienização social que vem sendo implantada em São Paulo por Geraldo Alckmin, Gilberto Kassab e suas alianças.

         A Ocupação teve inicio às 15h com programação cultural e às 17h foi dado inicio ao ato político. Estavam presentes diversos fóruns de saúde mental dentre eles o Fórum Popular de Saúde Mental do ABC, Fórum de Saúde Mental de Araras e Região e Fórum Antimanicomial de Sorocaba. Além de militantes do Movimento Nacional da Luta Antimanicomial (MNLA), Rede Nacional Internúcleos da Luta Antimanicomial (RENILA), Movimento Nacional de População de Rua (MNPR), Marcha Mundial das Mulheres, Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) e outros movimentos sociais, sindicatos, organizações e redes.

        Dentre os que compunham a mesa na primeira parte do ato político, estavam os deputados Adriano Diogo do PT, Carlos Giannazi do PSOL e Marcos Martins do PT. O deputado Adriano Diogo abriu sua fala dizendo que, este ano, aconteceram duas coisas gravíssimas: a desocupação desumana da Cracolândia e do Pinheirinho em São José dos Campos e que ambas ações foram feitas pelas “mesmas forças”. “A importância da criação da Frente Parlamentar Antimanicomial é que os crimes cometidos na Ditadura, durante o Regime Militar, e os crimes que têm sido cometidos contra o povo brasileiro tenham um basta”, disse. Em meio a aplausos completou: “Aqui em São Paulo instalou-se o quartel da repressão que acha que todo mundo tem que ser tutelado como nos hospitais psiquiátricos, a sociedade do capus e do eletro choque. (…) Mas estamos reunidos aqui por uma sociedade sem manicômios”.

       O professor e presidente da ABRASME – Associação Brasileira de Saúde Mental – Paulo Amarante, também compondo a mesa, destacou que a questão não abrange só um segmento da sociedade, não foram apenas os moradores do Moinho, Cracolândia e Pinheirinho que foram atingidos; “não é apenas um retrocesso pontual, desrespeita a Constituição de 1988, direitos humanos, direito de liberdade, direito da mulher, etc. É um retrocesso mais amplo na democracia”, disse.

       Na segunda parte do ato a mesa foi composta por Anderson do MNPR, Fernanda da Marcha das Mulheres, Elizabete Henna do Fórum Popular de Saúde do Abc, e foi aberto espaço para as falas dos demais presentes. Lauro Martins, diretor de produção e usuário do CAPS Itapeva, ressaltou a importância do serviço e convidou as pessoas a conhecê-lo e acreditarem nos tratamentos substitutivos.

        O retorno dos manicômios é o que tem assombrado todos ligados de alguma maneira à luta antimanicomial, este retorno tem se dado, principalmente, através do tratamento aos usuários de álcool e outras drogas. O modelo asilar de punição e tortura vem sido aplicado tanto em clínicas particulares quanto nas ruas pelas forças públicas e ele se estende a todo um modelo de sociedade que exclui, pune e encarcera tal qual a sociedade de Kassab e Alckmin que precisa ser combatida.  Por uma sociedade sem manicômios!

Por Rafaela Uchoa

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1 thought on “Ato #OcupeAlesp é o primeiro passo para criação de Frente Parlamentar Antimanicomial”

  1. Fiquei muito feliz de estar presente e colaborar, neste importante posicionamento da Frente Estadual Antimanicomial, contra a política de exclusão, implementada por este famigerado Estado e Município de SP, parabéns à participação do SinPsi, e a todos e todas que participaram deste momento histórico.

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