Servidores da Saúde usam irreverência para protestar em S. Paulo

Cerca de dois mil trabalhadores da rede pública de Saúde de São Paulo se reuniram em um ato público na Avenida Paulista na manhã de sexta-feira (20) para pressionar o governo tucano de Geraldo Alckmin a negociar com a categoria, em greve desde o dia 13 de abril. Usando fantasias irreverentes, foram para às ruas para exigir 26% de aumento real. O vale-refeição no valor de R$ 4 também foi lembrado.

Os manifestantes compareceram munidos com faixas, cartazes e bandeiras. Muitas encenações simbólicas foram feitas como um enterro da saúde. Pessoas caracterizadas como a personagem morte e até de coxinhas para ironizar o valor do tíquete de alimentação.

Por volta de meio-dia, os manifestantes seguiram em caminhada, ocupando duas faixas da Avenida, até a sede da Secretaria de Gestão Pública, localizada na Rua Bela Cintra, travessa da Paulista.

Antes da manifestação o Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Saúde de S. Paulo (Sindsaúde-SP) se reuniu com a Coordenação de Recursos Humanos da Secretaria de Saúde do Estado. O presidente da entidade sindical, Benedito Austo de Oliveira, o Benão, disse que o governo sinalizou a possibilidade de uma mesa de negociação com secretários na semana que vem.

“Nenhuma proposta foi apresentada ainda. Estamos articulando uma reunião antes da próxima sexta [27] , quando faremos nova assembleia ou, até, outro ato público”, comentou o presidente do SindSaúde-SP, que ficou bastante satisfeito com a manifestação de hoje. “Fazia tempo que a saúde estava precisando ir às ruas. Agora, esperamos avançar na negociação”, completou Benão.

A data-base dos trabalhadores é em 1° de março, mas desde o final de 2011 a categoria protocolou a pauta de reivindicação na secretaria de estado. Há mais de 10 anos estão sem aumento linear. Outra exigência na pauta é a regulamentação da jornada de 30 horas para toda a categoria, já que muitos do setor administrativo fazem 40 horas.

O governo do estado alega que chegou a dar 40% de reajuste para a categoria, dado contestado pelo sindicato. “Chega a ser infantil. Eles reajustaram 19 pessoas que cumprem funções antigas no setor e que há muito, mas há muito tempo estavam sem aumento. São barqueiros, telefonistas e fotógrafos”, indignou-se Benedito de Oliveira.

Na grande mídia, a notícia que se espalha é que os trabalhadores estariam tentando impedir a entrada da população nos hospitais. Apesar da paralisação, os servidores cumprem a lei não interrompendo o atendimento nas internações e emergências.

“É difícil conseguir o apoio da população já que o governo e o que sai na imprensa é sempre desfavorável a nós. Eu penso que é sempre uma situação de isolamento”, lamentou o dirigente da saúde.

A secretaria decidiu cortar o ponto dos servidores estaduais em greve que paralisarem ou tiverem paralisado suas atividades no horário do expediente.

Por Débora Moreira

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